Para muita gente, o gato é mais do que um animal de estimação. Ele faz companhia, ajuda a reduzir o estresse e transforma a rotina com sua presença agitada.
Independentemente de quem o adotou, pode escolher diferentes humanos como preferidos com base em critérios próprios.
Em apartamentos pequenos ou casas cheias, está sempre observando o movimento, acompanhando quem trabalha home office e ocupando os espaços como se também fossem dele.
Infelizmente, isso significa que também está mais expostos aos resíduos químicos presentes no ambiente doméstico.
O que revelou a pesquisa
Um estudo apontado pelo jornal colombiano El Tiempo chamou atenção para esse detalhe pouco discutido.
A pesquisa identificou que gatos que vivem exclusivamente dentro de casa apresentam níveis mais elevados de bisfenol A no pelo do que aqueles que têm acesso à rua.
O resultado sugere exposição contínua à substância no ambiente interno. Em vez de contato ocasional, os dados indicam que o convívio diário com objetos e superfícies pode ser determinante.
O que é bisfenol A
O bisfenol A, conhecido como BPA, é uma substância orgânica sintetizada no fim do século 19.
A partir da década de 1930, passou a ser amplamente utilizado na fabricação de plásticos de policarbonato, podendo representar quase toda a composição do material.
Está presente em embalagens de alimentos, garrafas, eletrodomésticos, eletrônicos, móveis, roupas, materiais odontológicos, tintas, vernizes e até fluidos de freio.
Como sua estrutura é semelhante à do estrogênio, o BPA pode interferir na regulação hormonal e afetar diferentes órgãos.
Como os dados foram obtidos
Segundo o El Tiempo, os pesquisadores analisaram amostras de pelo de 70 gatos saudáveis, sem raça definida, com idades entre 1 e 15 anos. Eram 37 machos e 33 fêmeas, todos esterilizados e alimentados com ração comercial.
A grande maioria das amostras apresentou BPA detectável. A concentração média geral ficou em torno de 68 pg/mg, com mediana próxima de 27 pg/mg. Em um dos casos, o valor chegou a 955 pg/mg.
Gatos com acesso à rua registraram média aproximada de 26 pg/mg, enquanto os que viviam apenas dentro de casa apresentaram média perto de 80 pg/mg.
Animais mais jovens também mostraram concentrações mais altas. Já os com peso considerado normal tiveram níveis superiores aos obesos, um dado que ainda carece de explicação.
Possíveis cuidados
Os autores concluíram que a proximidade com os humanos e o contato constante com móveis, tapetes, eletrodomésticos e embalagens podem explicar a diferença.
Como medida preventiva, especialistas orientam substituir potes plásticos por recipientes de cerâmica ou aço inoxidável.
Também recomendam limpar a casa com frequência, usar aspirador com filtro eficiente e manter os ambientes ventilados para reduzir a concentração de compostos no ar.




