Lixo é encontrado a 5 mil metros de profundidade no Mediterrâneo; entenda como resíduos chegaram ao ponto mais fundo do mar

Pesquisa revela objetos encontrados a mais de 5 mil metros de profundidade e expõe um problema invisível nos oceanos

Expedição científica identificou lixo acumulado a mais de 5 quilômetros abaixo da superfície do Mar Mediterrâneo (Foto: Georg Hanke/ Wikimedia Commons)

Expedição científica identificou lixo acumulado a mais de 5 quilômetros abaixo da superfície do Mar Mediterrâneo (Foto: Georg Hanke/ Wikimedia Commons)

Quando pensamos nos lugares mais isolados do planeta, é comum imaginar que eles permanecem praticamente intocados pela ação humana. Mas uma nova pesquisa mostrou que essa percepção está longe da realidade.

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Cientistas encontraram lixo a 5.122 metros de profundidade, no Calypso Deep, considerado o ponto mais profundo do Mar Mediterrâneo. O achado chama atenção porque demonstra que nem mesmo uma das regiões mais inacessíveis do oceano escapou da poluição causada pelo ser humano.

O que é o Calypso Deep?

O Calypso Deep é o ponto mais profundo no Mar Mediterrâneo, a cerca de 60 quilômetros da costa do Peloponeso, na Grécia.

Com mais de cinco quilômetros de profundidade, o local é considerado um ambiente extremo, marcado por:

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  • Pressão milhares de vezes maior que a da superfície;
  • Ausência total de luz solar;
  • Temperaturas muito baixas;
  • Acesso extremamente difícil para pesquisadores.

Por essas características, o fundo da região costuma ser explorado apenas com submarinos e veículos operados remotamente (ROVs).

O que os pesquisadores encontraram no fundo do mar?

Durante a expedição científica, os pesquisadores identificaram 167 objetos produzidos pelo ser humano espalhados pelo fundo do Calypso Deep.

Entre os resíduos encontrados estavam sacolas plásticas, embalagens, garrafas, latas, copos descartáveis, recipientes diversos e materiais feitos de papel, metal, vidro e plástico.

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A predominância de itens descartáveis reforça o impacto da poluição marinha, mostrando que até mesmo uma das regiões mais profundas e isoladas do Mar Mediterrâneo já sofre com o acúmulo de lixo.

Grande parte dos itens era composta por plástico, material que pode permanecer no ambiente por centenas de anos antes de se decompor completamente.

Como esse lixo chegou a mais de 5 mil metros de profundidade?

Essa foi uma das principais perguntas levantadas pelos cientistas. Segundo o estudo publicado na revista científica Marine Pollution Bulletin, diferentes fatores ajudam a explicar o fenômeno.

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Entre eles estão:

  • Correntes marítimas profundas;
  • Descarte inadequado de resíduos em áreas costeiras;
  • Atividades de embarcações;
  • Transporte gradual dos materiais ao longo dos anos.

Além disso, a própria geografia do Calypso Deep funciona como uma espécie de “armadilha natural”, favorecendo o acúmulo de resíduos que descem lentamente até o fundo.

Por que essa descoberta preocupa tanto?

Os pesquisadores afirmam que o achado reforça uma preocupação crescente: a poluição marinha alcançou praticamente todos os ambientes do planeta.

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Mesmo locais considerados remotos já apresentam sinais claros da presença humana.

O problema vai além do impacto visual. O lixo pode:

  • Prejudicar organismos marinhos;
  • Alterar ecossistemas de águas profundas;
  • Liberar microplásticos;
  • Permanecer acumulado durante décadas ou séculos.

Embora a vida nas grandes profundidades ainda seja pouco conhecida, especialistas alertam que esses ambientes desempenham papel importante no equilíbrio dos oceanos.

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A poluição nos oceanos é maior do que parece

Diversos estudos já mostraram que milhões de toneladas de plástico chegam aos oceanos todos os anos.

Parte desse material permanece boiando na superfície, mas uma quantidade significativa afunda e acaba se acumulando em regiões profundas, onde praticamente não existe limpeza natural.

Segundo os autores da pesquisa, esse processo faz com que áreas antes consideradas preservadas também passem a sofrer os efeitos da atividade humana.