‘Não senti nada’: serial killer que inspirou ‘Memórias de um Assassino’ nega arrependimento

Filme conta com a direção de Bong Joon-ho, vencedor do Oscar por 'Parasita'

O assassino Lee Chun-jae desdenhou da intenção artística do filme

O assassino Lee Chun-jae desdenhou da intenção artística do filme | Divulgação

Em um depoimento que causou espanto no tribunal, Lee Chun-jae, o verdadeiro culpado por trás dos assassinatos em série de Hwaseong que abalaram a Coreia do Sul nos anos 1980, revelou sua reação ao assistir ao aclamado filme ”Memórias de um Assassino” (2003).

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A obra, dirigida pelo vencedor do Oscar Bong Joon-ho, é baseada nos crimes cometidos por Lee. Contudo, o criminoso afirmou não ter sentido qualquer emoção ou culpa ao ver sua história na tela.

Cena final emblemática

Um dos momentos mais emblemáticos do cinema sul-coreano é a cena final da obra Memórias de um Assassino, em que o detetive, interpretado por Song Kang-ho (de Parasita), olha diretamente para a câmera.

O diretor Bong Joon-ho (também vencedor do Oscar pela direção de “Parasita”) explicou que a cena foi elaborada com o objetivo de fazer com que o detetive e o assassino fizessem contato visual, prevendo que o culpado assistiria ao filme.

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No entanto, Lee Chun-jae desdenhou da intenção artística. “Nunca pensei sobre como me senti”, declarou ele durante o julgamento.

Ainda segundo o assassino, o filme apresentava muitas imprecisões, como a ideia de que os crimes ocorriam apenas em dias de chuva e focavam em mulheres vestindo vermelho, o que o tornou indiferente à narrativa.

Críticas à investigação: ‘Foi um show’

Além de sua indiferença à obra de ficção, Lee Chun-jae aproveitou o espaço no tribunal para criticar a condução policial da época. Segundo ele, a polícia o visitou diversas vezes durante as investigações originais, mas nunca o teria tratado como um suspeito sério.

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As críticas foram direcionadas da seguinte forma:

  • Incompetência: Lee descreveu o trabalho dos detetives como uma “investigação de fachada” (show investigation).
  • Impunidade: segundo ele, se a polícia tivesse investigado minimamente, ele teria sido suspeito pelo menos uma vez.
  • Frieza: ao ser questionado sobre como se sentia ao estar na lista de suspeitos na época, ele respondeu que “não cometeu os crimes com pensamentos específicos”.

Um homem ‘mudado’ em uma corte estarrecida

Na audiência no Tribunal Distrital de Suwon, Lee ainda deixou todos tomada em choque quando afirmou que hoje é uma pessoa diferente.

“Tenho confiança de que não cometeria um assassinato agora”, disse ele calmamente, mesmo sem demonstrar nenhum remorso real pelas vítimas do passado.

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Atualmente cumprindo pena, Lee Chun-jae resumiu sua vida na prisão de forma burocrática: “Estou vivendo minha sentença diligentemente”.

Caso que marcou época

O caso de Lee Chun-jae é um marco na história da Coreia do Sul, com o filme Memórias de um Assassino não apenas retratando o horror dos crimes, mas também a inépcia de uma força policial que, na época, estava mais ocupada em reprimir demonstrações políticas do que em capturar um assassino.

Embora o filme termine sem capturar o culpado, já que a época do filme ainda não havia sido descoberto, a confissão tardia de Lee Chun-jae e seus comentários sobre a obra fecham um dos capítulos mais sombrios da cinematografia e da justiça sul-coreana.