O que é maré vermelha, fenômeno que ‘pintou’ o mar de SP

Pessoas avistaram mancha vermelha no mar paulista e ficaram preocupadas; entenda os riscos

Descubra o fenômeno da maré vermelha e saiba quais os riscos do cenário no litoral de SP

Descubra o fenômeno da maré vermelha e saiba quais os riscos do cenário no litoral de SP | Alvaro Migotto / Cebimar

No início de 2025, moradores e turistas de cidades do litoral paulista se assustaram com a coloração avermelhada da água do mar. Mas esta não é a primeira vez que isso acontece no mar paulista. Cientistas afirmam que o fenômeno se trata da maré vermelha. Mas o que significa a constatação deste cenário?

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Em 2019, pesquisadores do Centro de Biologia Marinha (Cebimar) da USP identificaram uma floração de microalgas do gênero Margalefidinium no Canal de São Sebastião no final deste verão.

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É a esta floração de microalgas que a ciência dá nome de maré vermelha. No entanto, os estudiosos se surpreenderam com o episódio, uma vez que as espécies de responsáveis por ele (as Margalefidinium) não são comuns no litoral de São Paulo.

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Os casos de maré vermelha estudados

A USP acompanhou as ocorrências observadas no mês de março de 2019.

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A maré vermelha foi registrada nas praias de Guaecá e do Segredo, em São Sebastião, nos dias 13 e 14 de março, mas a concentração da planta predominou no dia 14, quando chegou a 2 milhões de microrganismos por litro de água.

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Para os pesquisadores, a grande concentração do Margalefidinium é algo raro no mar paulista. A professora Áurea Ciotti, do Cebimar, lembra que as Margalefidinium foram inicialmente reportadas na Ásia.

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“Essa é uma espécie que não tem muito registro [em São Paulo]. Aqui eu nunca tinha visto. Saí ligando para todo mundo para ver se alguém já tinha encontrado na costa de São Paulo e ninguém viu. Não quer dizer que não tinha, quer dizer que ninguém viu. Mas não é muito costumeira aqui”

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Ciotti é especialista em um ramo da oceanografia que estuda os fatores que alteram a cor da água do mar. A maré vermelha é justamente um desses fatores.

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Por que essa alga causa maré vermelha?

Embora os espécimes de fitoplâncton que causam o fenômeno sejam pequenos demais para serem visíveis a olho nu, as florações de microalgas crescem em concentração tão alta que podem ser reconhecidas pelas manchas coloridas.

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São essas microalgas que causam as manchas na água – muitas vezes, avermelhadas – na superfície do mar.

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No caso dos dinoflagelados, grupo ao qual pertencem às microalgas que compuseram a maré vermelha dos dias 13 e 14 de março, a concentração normal para o Canal de São Sebastião costuma ser de centenas de organismos por litro de água.

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As florações ocorrem quando a temperatura favorece o crescimento de determinadas espécies e há excesso de nutrientes nas águas.

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Temporais e ligações de esgoto

Ainda sobre os episódios de 2019, os pesquisadores do Cebimar trabalham com a hipótese de que as fortes chuvas de março tenham favorecido o crescimento dos microrganismos.

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Além de aumentar o volume dos córregos e rios que deságuam no mar, as chuvas “lavam” o solo e arrastam para o oceano tudo que está no caminho.

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A chegada de mais nutrientes funciona como uma espécie de “fertilização” para os microrganismos, de forma semelhante ao que acontece na terra com as plantas. 

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Embora causas variadas possam influenciar a proliferação de organismos que compõem o fitoplâncton, como as mudanças climáticas ou a introdução de novas espécies por águas de lastro de navios, Áurea Ciotti destacou o impacto da ocupação humana no litoral.

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“Na maior parte dos sistemas costeiros que têm problemas com maré vermelha, existe uma relação bem forte com a ocupação desses lugares. Você constrói, tem uma erosão dos terrenos e os nutrientes são carreados para a água do mar”, contou a docente ao Jornal da USP.

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A professora é coautora de um texto publicado no site do Cebimar explicando a importância do monitoramento das marés vermelhas.

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No último verão, que compreende o período de dezembro de 2018 a março de 2019, os técnicos da Cetesb investigaram sete ocorrências de manchas avermelhadas ou acastanhadas no litoral paulista. Nem todas estavam relacionadas a microalgas.

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A mancha vermelha é toxica? Ela vai desaparecer?

As manchas coloridas são móveis e se deslocam junto com as correntes marítimas. Segundo os pesquisadores, elas são potencialmente tóxicas para peixes e outros organismos que compõem o ecossistema marinho.

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De acordo com a Cetesb, o órgão estadual responsável pelo monitoramento ambiental das águas costeiras, há casos de florações que chegam ao litoral de São Paulo por correntes vindas do Paraná e de Santa Catarina, ou mesmo da costa do Uruguai.