Cardume de peixe ameaçado de extinção é visto pela 1ª vez em Alagoas

Cientistas registram pela primeira vez um gigante dócil dos oceanos em Alagoas, mas um detalhe preocupante acende o alerta.

Peixe mero foi visto durante mergulho científico - Foto: UFAL/ Divulgação

Imagine mergulhar nas águas mornas do Nordeste e dar de cara com um verdadeiro gigante dócil dos oceanos. Foi exatamente esse cenário cinematográfico que uma equipe de cientistas vivenciou recentemente em Alagoas.

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Em um registro histórico e emocionante, pesquisadores flagraram um cardume de peixe mero, uma das espécies mais enigmáticas do nosso litoral.

O encontro surpreendeu a comunidade científica e acendeu um alerta importante sobre a vida marinha.

O encontro com os gigantes de Alagoas

O flagrante inédito aconteceu durante um mergulho científico a cerca de 35 metros de profundidade na costa alagoana.

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No total, foram contabilizados cerca de 15 peixes mero adultos e de grande porte reunidos no mesmo local. O tamanho dos animais impressiona qualquer um: eles mediam entre 1,6 e 2,3 metros de comprimento.

Registros como esse são extremamente raros no Nordeste brasileiro, o que eleva a importância científica do mapeamento dessa área.

Por que o peixe mero é chamado de ‘Senhor das Pedras’?

Com uma história que se confunde com o próprio litoral brasileiro, o Epinephelus itajara foi descrito pela primeira vez em 1822. Mas é seu nome ancestral que melhor traduz a sua imponência nos oceanos.

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O apelido “senhor das pedras” vem de uma bela tradução do tupi-guarani, uma referência direta ao hábito do peixe de habitar fendas e recifes. Mas a lista de nomes pelo Brasil é longa e curiosa:

  • Bodete e Canapú.
  • Badejão e Merote.
  • Mero (o mais popular e conhecido).

Independentemente do nome, o fato é que o mero pode atingir marcas inacreditáveis de até 2,5 metros de comprimento e pesar mais de 400 kg.

Curiosidades fascinantes: a impressionante mudança de gênero

Além do tamanho colossal, a biologia do peixe mero esconde um dos segredos mais fascinantes do mundo marinho. Você sabia que eles mudam de gênero ao longo da vida?

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De acordo com o Projeto Meros do Brasil (PMB), todos os indivíduos da espécie nascem fêmeas. A transformação é um verdadeiro mecanismo de sobrevivência da natureza.

Após a primeira reprodução, que ocorre por volta dos 6 aos 8 anos de idade, algumas fêmeas se transformam em machos. Essa estratégia incrível garante a continuidade e a variabilidade genética da espécie.

A doçura que se tornou uma grande ameaça

Apesar do tamanho intimidador, o mero é conhecido na comunidade de mergulho por um comportamento muito peculiar: ele é extremamente dócil e curioso.

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É comum que esses animais se aproximem voluntariamente de mergulhadores para interagir, sem demonstrar qualquer tipo de agressividade. I

nfelizmente, essa postura mansa e receptiva faz do mero um alvo fácil para a caça subaquática e a pesca predatória.

Atualmente, o animal está classificado como “Vulnerável” na Lista Vermelha da IUCN, mas em território nacional a preocupação é ainda maior devido ao risco de extinção.