‘Pensei que era feita de concreto’: ele pagou R$ 2 mil por uma estátua velha de mármore e descobriu que ela pode valer R$ 689 mil

Peça que parecia ser de concreto foi identificada como uma rara obra de mármore assinada pelo escultor italiano Pietro Bracci

Escultura passou cerca de 50 anos em um jardim e agora será levada a leilão com estimativa de até R$ 689 mil (Foto: ZacharyCulpin/BNPS)

Escultura passou cerca de 50 anos em um jardim e agora será levada a leilão com estimativa de até R$ 689 mil (Foto: ZacharyCulpin/BNPS)

À primeira vista, parecia apenas uma peça de concreto envelhecida em um depósito de materiais usados. Mas um comprador desconfiou que havia algo diferente ali, e acabou encontrando uma obra de arte de quase 300 anos.

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A estátua de mármore, comprada por cerca de R$ 2,1 mil em um depósito de salvados em Wiltshire, na Inglaterra, foi identificada como uma obra do escultor italiano Pietro Bracci, conhecido por criar a figura central da famosa Fontana di Trevi, em Roma.

Peça estava esquecida em um depósito

A história começou quando um construtor encontrou a escultura em um depósito de materiais recuperados.

A peça havia vindo de uma casa de campo em Hampshire, perto de Andover, e estava tão desgastada que os responsáveis pelo local acreditavam que ela fosse feita de concreto.

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O comprador, porém, decidiu arriscar.

Ele pagou £300, cerca de R$2,1 mil, pela peça e só depois percebeu que o material era mármore. Mais tarde, a investigação revelou que a escultura tinha uma história muito mais importante do que sua aparência sugeria.

A obra tem cerca de 26 polegadas de altura, pouco mais de 66 centímetros, e retrata o papa Clemente XII Corsini.

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A assinatura mudou tudo

O detalhe decisivo estava na própria peça: ela é assinada por Pietro Bracci, um dos nomes importantes do barroco italiano do século 17.

Bracci também foi responsável pela figura central da Fontana di Trevi, em Roma, uma das obras mais conhecidas da cidade.

A escultura encontrada na Inglaterra não era, porém, uma estátua comum. Ela funcionava como uma maquete preparatória para uma grande figura de bronze do papa Clemente XII.

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A obra monumental chegou a ficar no Grande Salão do Palazzo Nuovo, no Capitólio, em Roma.

A peça original não existe mais

É justamente aí que a descoberta ganha ainda mais importância.

O modelo de bronze para o qual Bracci criou a maquete acabou sendo derretido em 1798, durante a Primeira República.

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Antes da descoberta da peça de mármore, a única representação conhecida daquela estátua era uma gravura feita por Stefano e Rocco Pozzi.

Por isso, a maquete encontrada em Wiltshire é considerada a única sobrevivente conhecida do modelo criado por Bracci.

Obra ficou décadas em um jardim

Apesar da importância histórica, a escultura passou despercebida durante muito tempo. A peça teria ficado cerca de 50 anos em um jardim, exposta ao tempo.

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O estado de conservação é descrito como bastante desgastado, mas isso não diminui sua raridade.

Ainda não se sabe exatamente como uma obra italiana do século 17 foi parar em um jardim de Hampshire.

Entre as possibilidades mencionadas pelo especialista estão a hipótese de ela ter sido dada a um britânico durante o chamado Grand Tour, uma tradicional viagem de formação pela Europa, ou ter sido um presente diplomático para alguém ligado ao papa.

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Quanto a estátua pode valer?

A diferença entre o que foi pago e o valor estimado chama atenção.

A peça foi comprada por cerca de R$ 2,1 mil, mas recebeu uma estimativa inicial de aproximadamente R$ 68,9 mil antes do leilão.

Com o interesse internacional despertado pela descoberta, porém, a expectativa é de que ela possa alcançar até cerca de R$ 689 mil.

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A escultura será colocada à venda pela casa de leilões Woolley & Wallis, em Salisbury, no dia 8 de outubro.

O vendedor, que não é um negociante profissional de antiguidades, decidiu permanecer anônimo.

A peça, que por muito tempo pareceu apenas um objeto de jardim desgastado, agora chega ao leilão como uma rara ligação com a arte italiana do século 17.