Portugal e Espanha estão lentamente girando entre si e vão mudar o mapa mundi

Estudo mostra que território se move em silêncio e muda o que se sabia sobre a região

Movimento é lento, mas pode ajudar a explicar tremores no sul da Europa

Movimento é lento, mas pode ajudar a explicar tremores no sul da Europa | NASA, MODIS / LANCE/Wikimedia Commons

A Península Ibérica está se movendo de uma forma que ninguém percebe a olho nu. Além de avançar para o norte junto com a placa euroasiática, o território também realiza um giro lento no sentido horário, segundo um novo estudo científico.

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A descoberta foi publicada na revista Gondwana Research e chama atenção porque desafia a ideia de que a região se comporta como um bloco rígido. O movimento é medido em milímetros por ano, mas tem impacto na forma como os cientistas interpretam a tectônica local.

Embora pareça algo distante da vida cotidiana, esse tipo de alteração nos modelos geológicos influencia diretamente a maneira como se calcula o risco de terremotos na Espanha, em Portugal e em áreas próximas do Mediterrâneo.

O que faz a península girar

A explicação envolve as placas tectônicas que formam a superfície da Terra. A Península Ibérica está posicionada entre a placa africana e a euroasiática, que exercem forças constantes uma sobre a outra.

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No entanto, essa pressão não ocorre de maneira uniforme. “O movimento não é uniforme e a deformação distribui-se de forma desigual no sul de Espanha, em Portugal e nas áreas marítimas adjacentes”, explicam os especialistas no estudo.

Como resultado, algumas áreas sofrem compressão direta, enquanto outras deslizam lateralmente. Essa combinação de empurrões e deslizamentos cria um efeito de rotação lenta, distribuído por toda a região.

Um limite mais complexo do que parece

Grande parte desse processo ocorre no chamado Arco de Gibraltar, onde cadeias montanhosas ajudam a redistribuir as tensões acumuladas entre as placas.

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Diferentemente da Falha de San Andreas, nos Estados Unidos, que concentra o movimento em uma grande fratura visível, o limite entre África e Eurásia é formado por várias estruturas menores.

Isso significa que a energia não se acumula em um único ponto. Pelo contrário, ela se espalha por uma faixa que vai do Golfo de Cádis ao mar de Alborán, tornando o comportamento geológico mais complexo do que os modelos tradicionais indicavam.

Como os cientistas mediram o movimento

Para detectar esse giro quase imperceptível, os pesquisadores utilizaram estações permanentes de GPS instaladas em diferentes pontos da península.

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Esses equipamentos registram deslocamentos mínimos com alta precisão. Ao cruzar essas informações com dados de atividade sísmica, os cientistas conseguiram construir um modelo mais detalhado da deformação regional.

Segundo os investigadores, a combinação de medições por satélite, redes de sensores e análise computacional permitiu identificar um padrão de rotação que modelos lineares anteriores não conseguiam explicar.

Por que isso importa

Espanha e Portugal não figuram entre as regiões mais sísmicas da Europa, mas já registraram terremotos significativos ao longo da história.

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“O novo modelo de rotação ajuda a explicar a ocorrência de sismos em áreas sem falhas visíveis na superfície”, afirma o estudo. A observação indica que o risco pode estar mais distribuído do que se imaginava.

Os pesquisadores acrescentam que “a energia tectônica se distribui por várias estruturas menores em vez de se concentrar numa única falha”. Assim, compreender esse giro lento não é apenas uma curiosidade científica, mas uma ferramenta importante para atualizar mapas de risco e planejar infraestrutura com mais segurança.