Remoção de tatuagens: tendência traz riscos e processos

Pedidos ocorrem até entre pessoas que se arrependem em menos de 15 dias após fazer a tatuagem

Busca por remoção de tatuagens é um fenômeno que cresce de forma silenciosa no Brasil

Busca por remoção de tatuagens é um fenômeno que cresce de forma silenciosa no Brasil | Freepik

Se antes a tatuagem era símbolo de identidade, pertencimento e permanência, hoje ela também passou a representar arrependimento.

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A busca por remoção de tatuagens é um fenômeno que cresce de forma silenciosa no Brasil, inclusive por pessoas que decidem apagar o desenho poucas semanas após fazê-lo.

Em alguns locais, há registros de pacientes que buscam iniciar o processo de remoção em menos de 15 dias após a tatuagem. Para os especialistas, o dado reflete decisões impulsivas, mudanças rápidas de estilo de vida e expectativas frustradas em relação ao resultado estético.

“É cada vez mais comum recebermos pacientes que se arrependem quase imediatamente. Muitas vezes, a tatuagem não corresponde ao que a pessoa imaginava ou foi feita em um momento emocional intenso, sem reflexão suficiente sobre o impacto permanente na pele”, afirma o dermatologista José Roberto Fraga Filho, diretor clínico do Instituto Fraga de Dermatologia.

Arrependimento lidera os pedidos de remoção

Estudos e a prática clínica indicam que cerca de uma em cada três pessoas se arrepende de ter feito uma tatuagem em algum momento da vida.

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Entre os principais motivos estão mudanças de valores e de estilo de vida, término de relacionamentos, exigências profissionais, insatisfação com a qualidade do desenho, associações a momentos difíceis e o desejo de abrir espaço para um novo desenho, o chamado cover-up.

Segundo o dermatologista, o arrependimento precoce costuma estar ligado, principalmente, à frustração estética.

“O desenho final, as cores ou o acabamento nem sempre correspondem à expectativa criada antes do procedimento”, explica.

Remoção não é simples nem rápida

Apesar dos avanços tecnológicos, apagar uma tatuagem está longe de ser um processo simples. A remoção a laser é demorada, podendo levar até dois anos, já que o intervalo entre as sessões costuma variar de dois a três meses.

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Além disso, nem todas as cores respondem da mesma forma ao tratamento, tons de azul e verde são mais resistentes e exigem equipamentos específicos.

“O laser fragmenta o pigmento em partículas que serão eliminadas pelo organismo ao longo do tempo. Quando o procedimento é feito sem critério, com energia excessiva ou por profissionais não habilitados, o risco de manchas permanentes e cicatrizes aumenta consideravelmente”, alerta José Roberto Fraga Filho.

Riscos e responsabilidade médica

O médico reforça que a remoção de tatuagens deve ser realizada exclusivamente por dermatologistas, em ambientes preparados para lidar com possíveis intercorrências. O uso inadequado de anestésicos, por exemplo, pode provocar complicações graves, como arritmias cardíacas.

“Não se trata apenas de estética. Estamos lidando com a pele, que é um órgão vital. Tecnologia adequada, conhecimento médico e acompanhamento são fundamentais para preservar a saúde do paciente”, destaca.

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Quando o procedimento segue rigor técnico, respeita os intervalos entre sessões e utiliza equipamentos modernos, especialmente os lasers de picossegundos, a pele pode se regenerar completamente.

Pessoas com pele mais clara tendem a apresentar melhores resultados, mas cada caso deve ser avaliado individualmente. Tinta colorida também tende a ser mais difícil de ser removida do que a preta.

Alerta do dermatologista

Para quem pensa em fazer uma tatuagem, o conselho é cautela, evitar decisões impulsivas, nomes de parceiros e símbolos associados à dor ou ao luto.

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Já para quem deseja remover um desenho, a recomendação é buscar informação, avaliar a tecnologia disponível e, sobretudo, contar com acompanhamento médico especializado.

“A tatuagem deixou de ser para sempre, mas o cuidado com a pele continua sendo um compromisso para a vida toda. Histórias mudam, desenhos podem ser apagados, mas a pele nos acompanha para sempre”, conclui José Roberto Fraga Filho.