Montanha em forma de barco na Turquia: após 4.300 anos, Arca de Noé pode estar sob montanha de 150 metros

Arca de Noé: entenda por que a Formação Durupinar divide cientistas, o que o radar detectou a sete metros de profundidade e quando saem os resultados

Arca de Noé

Foto: Reprodução/Instagram/@riopretodepressao

Uma equipe internacional afirma ter detectado, com radar de penetração no solo, estruturas com ângulos retos, câmaras e corredores a cerca de sete metros de profundidade na Formação Durupinar, no leste da Turquia. A expedição de 2026, liderada pela Universidade de Sivas Cumhuriyet, investiga se a elevação de quase 150 metros, com perfil de barco encalhado, esconde a Arca de Noé. A hipótese, porém, divide especialistas.

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O local fica a cerca de 30 km ao sul do Monte Ararat, onde o Gênesis situa o descanso do barco. É a primeira escavação com autorização oficial e supervisão universitária no sítio. O nome da formação homenageia Ilhan Durupinar, oficial da Força Aérea turca que fotografou o contorno em 1959, durante um voo de mapeamento. Nos anos 1980, o entusiasta Ron Wyatt registrou as primeiras imagens de radar do local.

Radar e amostras de solo apontam câmaras sob a montanha

Segundo Andrew Jones, fundador do grupo cristão Noah’s Ark Scans, o escaneamento 3D revelou camadas estruturais e grandes cavidades incompatíveis com um bloco maciço de calcário moldado pela erosão.

Em 90 dias de campo, cerca de 20 pesquisadores de cinco países coletaram quase mil amostras de solo em 150 pontos da encosta. O material foi enviado a laboratórios em Ancara.

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Uma análise preliminar indicou níveis de carbono cerca de 40% mais altos dentro da formação do que fora dela. O professor Cenker Atila sugere que o dado pode estar ligado a material orgânico, como madeira petrificada.

Por que cientistas duvidam de que a Formação Durupinar seja a Arca de Noé?

A maioria dos geólogos e arqueólogos enxerga a estrutura como formação natural, esculpida pela ação da água e do vento ao longo de milênios.

O pesquisador bíblico Wesley Huff chamou os dados de sensacionalistas. Ele lembra que o radar pode confundir argila e pedras comuns com estruturas, e que formas de barco aparecem com frequência na geografia da região.

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Há ainda a crítica institucional: a equipe do projeto não conta com arqueólogos de formação acadêmica, o que leva parte da comunidade científica a tratar as conclusões como especulação.

O que vem a seguir na busca pela Arca de Noé

Os próprios responsáveis admitem que a prova definitiva ainda não chegou. Jones diz ter certeza de que se trata da Arca de Noé, mas reconhece que faltam evidências científicas de um barco de madeira em decomposição sob a terra.

As próximas etapas incluem perfurações mais profundas, robôs para captar imagens do subsolo e a publicação dos primeiros resultados completos, prevista para 2027.

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Se houver madeira enterrada, o achado mudaria o que se sabe sobre a navegação na Antiguidade. Se houver apenas rocha, ainda restarão mapas 3D, amostras de solo e um método útil a outras formações.

Até lá, a montanha em forma de barco segue como símbolo do encontro entre fé e ciência: uma avança camada por camada, a outra não depende de escavação. Sobre a Arca de Noé, só as provas dirão.