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Bares e restaurantes do ABC Paulista, na Grande São Paulo, começam a repor vagas fechadas durante a pandemia
Bares e restaurantes do ABC Paulista, na Grande São Paulo, começam a repor vagas fechadas durante a pandemia
Foto: Ettore Chiereguini/Gazeta de S Paulo

Bares e restaurantes do ABC começam a repor vagas fechadas na pandemia

A região do ABC Paulista tinha cerca de 23 mil estabelecimentos de hospedagem e alimentação antes da crise sanitária; agora restam 16 mil

O afrouxamento das restrições à atividade econômica, a melhora nos indicadores da pandemia de Covid-19 e o avanço da vacinação têm animado os empresários do setor de hospedagem e alimentação do ABC Paulista, que começam a repor as vagas eliminadas durante o período em que os estabelecimentos tiveram de ficar fechados.

Com isso, chapeiros, ajudantes de cozinha, garçons, arrumadeiras e recepcionistas voltam a encontrar oportunidades de trabalho nos estabelecimentos do setor na região.

Para o presidente do Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação do ABC (Sehal), Beto Moreira, o aumento do movimento tende a elevar a demanda pelos profissionais. “Ainda não chega a ser o mesmo (movimento) visto antes da pandemia. Porém, aos poucos, os donos de bares e restaurantes começam a vislumbrar um futuro melhor – pelo menos, os que conseguiram resistir à crise que afetou duramente o setor”, afirmou.

A crise provocada pela pandemia no setor foi devastadora. Segundo o Sehal, o ABC tinha cerca de 23 mil estabelecimentos de hospedagem e alimentação antes da crise sanitária. Agora restam 16 mil. Na mesma comparação, o estoque de trabalhadores do setor encolheu de 90 mil para 60 mil.

“As empresas têm chamado de volta os empregados que estavam com contratos suspensos ou reduzidos. Isso já é um bom sinal de retomada. Para um garçom que ficou desempregado, o retorno ao serviço significa recuperação do poder de compra”, explicou a advogada Denize Tonelotto, diretora do Sehal.

O Bar do Bolinho tinha 40 funcionários em suas três unidades, situadas em São Bernardo (duas) e Santo André (uma), mas teve de dispensar 20% em 2020 e agora está repondo o pessoal. “Acredito que dentro de dois meses vamos conseguir normalizar o quadro”, disse a proprietária Luciana Hidaka.

A empresária comentou que, no período de lojas fechadas, enfrentou grandes dificuldades. “Manter folha de pagamento, encargos, despesas administrativas, taxas e impostos sem ter movimento tornou quase impossível seguir em frente. O que nos ajudou foi o delivery, formato que já praticávamos.”

Beto Moreira, presidente do Sehal, entende que o afrouxamento das restrições, pelas prefeituras, não é o suficiente. “O que os prefeitos precisam fazer é ajudar o setor reduzindo impostos e facilitando a renovação dos alvarás de funcionamento.”

O dirigente comemorou a decisão do Consórcio Intermunicipal de não adotar, no ABC, o chamado “passaporte da vacina”, exigência de comprovação de imunização para que clientes tenham acesso a bares, restaurantes e shoppings. “Ao invés de ficar a reboque do que é feito em São Paulo, o prefeitos deveriam olhar aqui, primeiramente, e ajudar o setor, que viveu situação caótica e tem dificuldades com a retomada.”

A cervejaria Madalena retomou a programação de eventos na fábrica-bar situada em Santo André. Com a flexibilização, a marca volta a abrir de terça a domingo. “Estamos funcionando com 80% da capacidade, seguindo todas as medidas de segurança”, afirmou o gerente de marketing da marca, Renan Leonessa.

O gerente recorda que, no início da pandemia, a Madalena teve de fechar a fábrica-bar e se reinventar rapidamente. “Intensificamos o delivery, lançamos novas embalagens para transporte, criamos um drive-thru na fábrica e em parceria com postos de combustível. Com essas inovações, a marca conseguiu baixar a redução do faturamento de 70% para 30% e gerar empregos indiretos. Diminuímos o lucro, mas mantivemos os empregos e a produção”, complementou.

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