El Niño coloca rodovias de SP em alerta e Estado prepara obras milionárias contra deslizamentos e enchentes

Medidas incluem contenção de encostas, sistemas de drenagem e monitoramento de chuvas em estradas que ligam o interior ao litoral paulista

Vista aérea panorâmica de um trecho sinuoso de rodovia que corta uma encosta montanhosa cercada por densa mata, destacando uma grande área de contenção de encosta e terraplanagem na rocha e na terra exposta ao lado das faixas de rodagem

Rodovias paulistas recebem obras de contenção de encostas e melhorias na drenagem para reduzir riscos durante períodos de chuva intensa - Divulgação/Governo de São Paulo

Rodovias de diferentes regiões de São Paulo estão recebendo obras de contenção de encostas, melhorias na drenagem e sistemas de monitoramento para enfrentar possíveis eventos climáticos extremos associados ao El Niño.

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Entre as medidas, está a previsão de bloqueios preventivos em trechos com risco de deslizamentos durante períodos de chuva intensa.

As intervenções atingem estradas de acesso ao litoral, ao interior e à Grande São Paulo, incluindo a Raposo Tavares, Castello Branco, Mogi-Bertioga, Mogi-Dutra e Rio-Santos.

Segundo o Governo de São Paulo, as ações fazem parte da Operação SP Sempre Alerta – El Niño 2026/2027, lançada na quinta-feira (15/10), com medidas de prevenção a chuvas intensas, calor extremo e outros riscos climáticos.

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A estratégia estadual reúne mais de 180 iniciativas do Plano Estadual de Resiliência às Mudanças Climáticas (PEARC), com previsão de R$ 29 bilhões em investimentos até 2029. O valor contempla diferentes setores, não apenas as rodovias.

Rodovia poderá ser bloqueada após chuva

Uma das medidas está na rodovia Geraldo de Barros (SP-304), no trecho de serra entre Torrinha e Santa Maria da Serra, na região de Piracicaba.

A estrada conta com um sistema de monitoramento de chuvas para identificar condições que possam provocar deslizamentos de terra.

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Segundo o Governo estadual, o trecho é interditado preventivamente quando o volume de chuva ultrapassa 80 milímetros, devido ao risco de deslizamentos.

A medida busca impedir a circulação de veículos durante situações consideradas de risco pelas equipes responsáveis pelo monitoramento.

Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga recebem obras em encostas

Na rodovia Pedro Eroles (SP-088), conhecida como Mogi-Dutra, equipes executam obras de contenção, drenagem e terraplenagem no km 46, em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.

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Os trabalhos incluem 17 mil metros de perfuração em solo e rocha e a instalação de mais de 20 toneladas de tela metálica para estabilizar a encosta. A previsão de conclusão é novembro de 2026.

Já na rodovia Mogi-Bertioga (SP-098), que conecta o Alto Tietê ao litoral paulista, também são realizadas intervenções para estabilização de encostas.

A via recebeu pluviômetros em pontos da serra para acompanhar o volume de chuva e auxiliar na adoção de medidas de segurança.

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Castello Branco e Raposo Tavares terão melhorias na drenagem

Na rodovia Castello Branco (SP-280), os serviços de conservação abrangem o trecho entre os quilômetros 13 e 54.

As atividades incluem limpeza, manutenção e adequação dos sistemas de drenagem, além de intervenções em defensas metálicas, iluminação, sinalização e estruturas de pontes e viadutos.

Trabalhos semelhantes são realizados na rodovia Raposo Tavares (SP-270), entre os quilômetros 10 e 34, e na rodovia Coronel PM Nelson Tranchesi (SP-029).

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Outra intervenção ocorre na rodovia Lívio Tagliassachi (SPA-053/280), entre Araçariguama e São Roque, no interior paulista.

A estrada passa por obras de duplicação de 8,5 quilômetros, com investimento de R$ 174 milhões. O projeto contempla estruturas de drenagem para reduzir o acúmulo de água sobre a pista.

Rodovias do litoral norte recebem monitoramento

Nas rodovias Oswaldo Cruz (SP-125) e Rio-Santos (SP-055), o Departamento de Estradas de Rodagem de São Paulo (DER-SP) realiza vistorias, estudos geotécnicos e mapeamento de áreas vulneráveis a deslizamentos.

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Na Rio-Santos, entre Bertioga e Ubatuba, um sistema do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) acompanha os índices de chuva e as condições de risco das encostas.

Quando há alertas, equipes intensificam as inspeções. Em situações que representem perigo à circulação, podem ser adotadas restrições ou bloqueios temporários.

Também estão previstas intervenções para recuperar erosões, estabilizar encostas e recuperar ou ampliar pontes em Ubatuba, Caraguatatuba e São Sebastião.

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Entre as estruturas contempladas estão as pontes sobre os rios Mococa e Guaecá. As obras estão em diferentes fases de contratação e somam R$ 18,2 milhões.

Neste ano, o DER-SP também concluiu obras de contenção em oito pontos críticos da Rio-Santos, entre os quilômetros 96,8 e 142,1, com investimento de R$ 24,4 milhões.

Outras rodovias também terão medidas preventivas

Na Serra de Tapiraí, na região de Sorocaba, foram concluídas obras de contenção de uma encosta no km 167 da rodovia Tenente Celestino Américo (SP-079).

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Com investimento de aproximadamente R$ 7 milhões, os serviços incluíram a construção de uma estrutura de contenção de 48 metros, a recuperação de cerca de 160 metros de pavimento e a implantação de dispositivos de drenagem e segurança viária.

No Rodoanel Norte, o monitoramento climático faz parte do planejamento das obras e da operação. No trecho entre as rodovias Presidente Dutra e Fernão Dias, já entregue, a atuação das equipes segue o Plano de Atendimento às Emergências.

Já no lote Paranapanema, que reúne mais de 280 quilômetros de rodovias, incluindo trechos da Raposo Tavares, foi realizado um levantamento de riscos relacionados a incêndios, erosões, inundações e deslizamentos.

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O planejamento prevê reservatórios de água nas novas bases de atendimento aos usuários, que também poderão auxiliar equipes em ações de combate a incêndios.

Segundo a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), as concessionárias intensificam ações de monitoramento e fiscalização nos aproximadamente 12 mil quilômetros de rodovias concedidas no estado.

As medidas incluem acompanhamento das condições das pistas, sinalização e comunicação com os motoristas durante períodos de chuva.