Brasileiros na Flórida saem de casa e traçam estratégias contra furacão Ian

A intensidade do Ian chegou a 235 km/h, perto de atingir a categoria 5

Segundo o instituto, há previsão de chuva volumosa entre 50 mm e 100 mm nessa região, com raios e ventos que podem atingir 100 km/h

Depois que resolverem ficar, brasileiros tiveram de tomar precauções especiai (foto de ilustração) | Fernando Frazão/Agência Brasil

O furacão Ian, que nesta quarta-feira (28) chegou ao sudoeste da Flórida, nos Estados Unidos, após deixar um rastro de destruição no Caribe, tem assustado um grupo pouco habituado a eventos climáticos extremos desse tipo: brasileiros, que somam 400 mil no estado do sul americano, segundo o Itamaraty. 

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Uma delas é Mayara Oliveira, 25, que vive em Tampa, próximo à região inicialmente atingida pelo furacão nos EUA. Ela chegou a empacotar pertences pessoais e encher o carro com malas e até a TV para partir em direção a Miami, onde a previsão é de estragos menores, mas desistiu ao descobrir que as estradas estavam engarrafadas e que o trajeto que deveria durar menos de 4 horas levaria 8. 

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“Tivemos medo de sermos surpreendidos no caminho. Nunca passamos por isso”, diz ela, que vive há cinco meses na cidade com o namorado e trabalha como entregadora. 

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Depois que resolverem ficar, foi preciso tomar precauções especiais. “Nossa casa não tem muita segurança, então colocamos o suporte da cama box tapando a janela, com medo de o vento quebrar o vidro e nos machucar.” 

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Além disso, como há árvores próximas a todas as janelas, o casal colocou um colchão para dormir na sala, mais distante dos galhos. A casa até tem um cômodo no subsolo para proteção em caso de furacões, mas Oliveira afirma que não quer usá-lo, por medo de o lugar ser inundado caso haja algum dano estrutural ao imóvel, como um cano estourado. Algo que a tranquiliza é que tanto a casa quanto o carro têm seguro. 

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Também foi preciso abastecer a despensa. Ela conta que encontrou comida facilmente nos poucos estabelecimentos abertos, mas houve dificuldade para achar água potável. “Viemos para a Flórida sabendo que aqui teria riscos maiores de catástrofes, mas jamais imaginei passar por uma situação dessa. Estamos com medo, não vamos negar”, diz. 

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Há quatro anos também em Tampa, João Gama, 22, afirma que já passou por outros furacões, mas que chegaram à cidade apenas como tempestades tropicais. Sabendo dos riscos, ele resolveu viajar até Orlando –mas se arrependeu ao descobrir que o fenômeno também pode causar estragos na cidade. 

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“Estamos todos muito assustados. A qualquer minuto a energia pode acabar e podem cair as torres de celular”, diz. “Talvez eu estivesse mais seguro em casa, em Tampa, mas por enquanto estamos aqui, rezando e torcendo para que todos fiquem bem.” 

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A intensidade do Ian chegou a 235 km/h, perto de atingir a categoria 5, a mais forte da escala –só duas tempestades de categoria 5 castigaram os EUA nos últimos 30 anos, ambas na Flórida. A previsão é de que o fenômeno provoque inundações de mais de 5 metros de altura, além de ondas gigantes entre as cidades de Englewood e Bonita Beach. 

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Milhões de moradores estão sob aviso ou ordem de saírem de casa nas reigões costeiras, mas o governador Ron DeSantis alertou nesta quarta que era tarde demais para quem ficou nos condados de Collier, Lee, Sarasota e Charlotte, previstos para serem atingidos pela parte mais forte da tempestade. “Hoje vai ser um dia bem, bem desagradável”, disse DeSantis a jornalistas. 

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O furacão já deixou 1,1 milhão de pessoas sem energia na Flórida, 30 mil delas na região de Tampa. Só nesta quarta-feira as companhias aéreas cancelaram 1.712 voos com destino ou origem nos aeroportos de Orlando, Miami, Tampa e Fort Lauderdale, os principais do estado. Considerando os cancelamentos previstos para esta quinta (29), mais de 3.200 voos devem ser afetados. 

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O presidente dos EUA, Joe Biden, declarou emergência no estado e enviou recursos de emergência. A Casa Branca afirma ainda que dispôs 110 mil galões de combustível, 3,7 milhões de refeições, 3,5 milhões de litros de água e 300 ambulâncias para atuar na ajuda às vítimas.