Costa Rica transfere primeiros 123 presos para mega prisão inspirada no modelo de El Salvador

Entre os recursos de segurança estão câmeras de vigilância, monitoramento permanente, controles biométricos, sistemas de escaneamento e postos estratégicos de fiscalização

Assim, a inauguração do CACCO coloca a Costa Rica entre os países latino-americanos que buscam inspiração no modelo salvadorenho para enfrentar o avanço do crime organizado/ Foto: reprodução/The Irish Sun

A Costa Rica iniciou a transferência de detentos para uma nova penitenciária de segurança máxima inspirada no modelo adotado pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele.

Continua após a publicidade

Os primeiros 123 presos chegaram ao Centro de Alta Contenção e Crime Organizado (CACCO) no mês passado, em uma segunda-feira (26), em uma operação que chamou a atenção pelas semelhanças com as transferências realizadas no Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT), conhecido como a mega prisão salvadorenha.

As imagens divulgadas pelo Ministério da Justiça e Paz da Costa Rica mostram os detentos com uniformes laranja, cabeças raspadas e sob forte escolta policial. Em algumas cenas, os presos aparecem sentados em fileiras, com as mãos posicionadas atrás da cabeça, enquanto agentes armados acompanham a movimentação.

A operação também contou com procedimentos de segurança e fiscalização, incluindo o uso de equipamentos de escaneamento corporal para inspeção dos detentos.

Continua após a publicidade

Entre os primeiros 123 transferidos estão três suspeitos de envolvimento no assassinato do policial Gerson Rosales Cascante, morto em maio deste ano. A entrada deles na unidade ocorreu por determinação da presidente da Costa Rica, Laura Fernández.

O ministro da Justiça e Paz, Gabriel Aguilar, classificou a transferência como um momento histórico para o sistema penitenciário do país.

Como é a nova megaprisão da Costa Rica?

Inaugurado em 14 de outubro, o Centro de Alta Contenção e Crime Organizado foi construído em San Rafael de Alajuela, próximo à penitenciária La Reforma, a cerca de 25 quilômetros da capital San José.

Continua após a publicidade

O complexo tem capacidade para receber até 5,1 mil pessoas privadas de liberdade, distribuídas em cinco módulos com espaço para 1.020 detentos cada. A estrutura possui mais de 31 mil metros quadrados de área construída e ocupa um terreno de aproximadamente 91 mil metros quadrados.

A construção recebeu investimento de cerca de US$ 33,1 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 175 milhões, considerando uma conversão aproximada.

Entre os recursos de segurança estão câmeras de vigilância, monitoramento permanente, controles biométricos, sistemas de escaneamento e postos estratégicos de fiscalização. A proposta é impedir a circulação de objetos proibidos e dificultar que integrantes de organizações criminosas continuem comandando atividades ilegais de dentro da prisão.

Continua após a publicidade

O governo pretende destinar as vagas a líderes de organizações criminosas, integrantes de grupos envolvidos com o narcotráfico e detentos considerados capazes de representar riscos à segurança de outros presos, funcionários e da população.

Qual é a relação com a prisão de Bukele em El Salvador?

A estrutura do CACCO foi inspirada no Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT), penitenciária de segurança máxima construída em El Salvador durante o governo de Nayib Bukele.

O complexo salvadorenho ficou conhecido internacionalmente pelas imagens de milhares de presos com cabeças raspadas, uniformes brancos e submetidos a rígidos protocolos de segurança. A unidade tem capacidade para aproximadamente 40 mil detentos e se tornou um dos principais símbolos da política de combate às organizações criminosas adotada por Bukele.

Continua após a publicidade

A aproximação entre os dois países também ocorreu durante visitas oficiais. Em novembro de 2024, Bukele esteve na Costa Rica e visitou uma unidade prisional do país. Posteriormente, autoridades costarriquenhas buscaram referências no modelo salvadorenho para desenvolver o novo complexo.

A presidente Laura Fernández defende que a construção representa uma mudança na política de segurança penitenciária e uma resposta ao avanço do crime organizado no país.

Por que a Costa Rica está investindo em uma megaprisão?

Historicamente conhecida por ser um dos países mais seguros da América Central, a Costa Rica enfrenta nos últimos anos um crescimento da violência associado principalmente ao narcotráfico e às disputas entre organizações criminosas.

Continua após a publicidade

Em 2023, o país registrou um recorde de 907 homicídios, segundo dados citados pela imprensa internacional. O avanço da criminalidade aumentou a pressão sobre o governo para reforçar as medidas de segurança pública.

Além de isolar criminosos considerados perigosos, o governo afirma que o CACCO poderá ajudar a reduzir a superlotação do sistema penitenciário nacional. Segundo o Ministério da Justiça, a ocupação integral da nova unidade permitiria reduzir o índice de saturação das prisões de 59% para aproximadamente 15%.

O modelo, entretanto, também desperta debates sobre direitos humanos e garantias legais. A política de segurança de Bukele, que envolve detenções em massa e restrições no sistema penitenciário, é alvo de críticas de organizações internacionais por denúncias de violações de direitos fundamentais e do devido processo legal.

Continua após a publicidade

Assim, a inauguração do CACCO coloca a Costa Rica entre os países latino-americanos que buscam inspiração no modelo salvadorenho para enfrentar o avanço do crime organizado.