O processo que investiga a morte da policial militar Gisele Alves concluiu que a PM foi imobilizada por trás e baleada. O documento, divulgado nesta quarta-feira (18/3), apontou ainda que havia manchas de sangue espalhadas por outros cômodos do apartamento onde ela morava com o tenente-coronel Geraldo Rosa Neto, seu marido.
Segundo a perícia, Gisele foi segurada pelo rosto e baleada por Geraldo. O oficial é investigado por suspeita de feminicídio, violência doméstica e fraude processual.
Ainda segundo os peritos, Geraldo teria usado a mão direita para disparar contra a têmpora direita de Gisele. O trajeto do projétil foi ascendente, da direita para a esquerda.
O exame realizado no corpo da PM apontou que a bala retirada da cabeça da mulher é compatível com a pistola Glock calibre .40 pertencente a Geraldo.
O Ministério Público se manifestou a favor do pedido de prisão do tenente-coronel depois que a polícia concluiu a investigação. A Justiça Militar acatou o pedido do MP. Confira:
“Em manifestação desta terça, os promotores Giovana Ortolano Guerreiro, Marcel Del Bianco Cestaro e Vanessa Damasceno consideraram a presença de requisitos legais e fundamentos fáticos amparando o requerimento de prisão feito pela Polícia Judiciária Militar”.
Possibilidade de suicídio descartada
O laudo de reprodução simulada apontou a impossibilidade técnica de a vítima ter cometido suicídio, levando em consideração padrões de sangue encontrados no local entre 1,70 m e 1,80 m de altura. A altura é apontada como incompatível para a versão de suicídio e queda.
Resultado das investigações que levaram a prisão de tenente-coronel foi apresentado em coletiva nesta quarta-feira (18/3). Foto: Divulgação/Governo de SP“A reprodução simulada indicou que o tiro teria sido realizado pelas costas, possivelmente de forma súbita e inesperada, o que teria inviabilizado qualquer chance de defesa por parte da vítima.”
A versão incial apresentada por Geraldo, de que Gisele teria atirado contra a própria cabeça, foi descartada depois que familiares foram envolvidos pela investigação.
O processo pericial destacou que o corpo de Gisele foi movimentado e a arma foi colocada na mão da PM. A cena teria sido manipulada pelo tenente-coronel para simular o suicídio. O investigado também teria demorado para chamar socorro para ter tempo para limpar vestígios.
A polícia não acredita que a ação tenha sido premeditada, mas sim “causada por uma forte emoção do momento”.
