Detalhes da investigação sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro, vieram a público nesta quinta-feira (10/9), após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubar o sigilo da ação.
A decisão também autoriza as medidas de busca e apreensão contra os investigados na chamada Operação Make Up.
A investigação apura se recursos públicos provenientes de emendas parlamentares destinadas à produção do longa foram desviados.
A ação da PF conta com a participação da Controladoria-Geral da União (CGU) no rastreamento dos valores.
Entre os principais alvos está o deputado federal Mário Frias (PL-SP). A produtora do filme, Karina Gama, que também preside o Instituto Conhecer Brasil (ICB), é outro alvo da operação.
PF apreende sete armas na casa de Mário Frias
Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam sete armas de fogo registradas em nome de Mário Frias.
Os armamentos, porém, estavam em um endereço diferente daquele declarado pelo parlamentar.
A possível irregularidade relacionada à posse das armas também será investigada pela Polícia Federal.
Além dos armamentos, celulares e computadores foram apreendidos em endereços ligados aos investigados.
Ao todo, a Operação Make Up cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.
Investigação mira destino de R$ 2 milhões em emendas
A PF apura o destino de R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinados por Mário Frias ao Instituto Conhecer Brasil em 2024. O ICB é presidido por Karina Gama, produtora do filme.
Os recursos foram pagos entre fevereiro e outubro de 2025.
A investigação busca esclarecer se o dinheiro foi efetivamente utilizado na produção do filme ou se houve desvio dos valores.
Segundo a Polícia Federal, as apurações indicam a possível existência de uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados.
O grupo é suspeito de direcionar recursos recebidos para empresas subcontratadas de maneira irregular, sem comprovação da prestação efetiva dos serviços contratados.
Ainda de acordo com a investigação, as tentativas de dissimular os supostos desvios teriam continuado até julho de 2026.
Levantamentos financeiros realizados no âmbito da apuração também identificaram movimentações da ordem de centenas de milhões de reais entre empresas que integram o esquema investigado.
Dino proíbe novos repasses e restringe saída do País
No despacho publicado nesta quinta-feira, Flávio Dino avocou o caso para o Supremo Tribunal Federal e determinou a proibição de novos repasses para empresas suspeitas de envolvimento no esquema.
Os investigados são apurados por possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraude em licitações.
Dino também determinou que os alvos não deixem o território nacional sem comunicação prévia à Justiça.
A decisão prevê ainda o recolhimento de passaportes eventualmente emitidos em nome dos investigados.
Com a medida, Mário Frias e Karina Gama estão proibidos de deixar o Brasil sem comunicar previamente à Justiça.
