Justiça solta ‘maior justiceiro’ da zona sul de SP após 30 anos de prisão

Condenado a quase dois séculos de prisão por dezenas de homicídios, Joans Félix da Silva atinge o limite máximo de detenção

Mesmo condenado à prisão até 18 de setembro de 2189, o Poder Judiciário determina um período máximo de 30 anos de prisão no Brasil para criminosos condenados até 23 de janeiro de 2020

Mesmo condenado à prisão até 18 de setembro de 2189, o Poder Judiciário determina um período máximo de 30 anos de prisão no Brasil para criminosos condenados até 23 de janeiro de 2020 | Pexels/KindelMedia

Considerado “o maior justiceiro” da zona sul paulista, Joans Félix da Silva, o Jonas, será libertado nesta quinta-feira (12/3). O idoso de 69 anos está preso de forma ininterrupta desde 13 de março de 1996 e passou em 2025 o 30° Natal consecutivo atrás das grades.

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O termo “justiceiro” é usado no mundo do crime para pessoas que matam indivíduos que supostamente teriam cometido delitos ou não cumprido acordos, fazendo a “justiça pelas próprias mãos”.

Mesmo condenado à prisão até 18 de setembro de 2189, o Poder Judiciário determina um período máximo de 30 anos de prisão no Brasil para criminosos condenados até 23 de janeiro de 2020. A soma dos crimes de Jonas totaliza 194 anos, sete meses e 20 dias de penas, incluindo crimes de homicídio.

O Pacote Anticrime, aprovado em 2019 e sancionado em 2020, aumentou a sentença máxima de detenção no Brasil para 40 anos. Entretanto, a Constituição garante que a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu.

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Segundo a defesa de Jonas, a pena de 30 anos de prisão dele venceu em 28 de agosto de 2022. O principal argumento utilizado é que o justiceiro sempre trabalhou e continuava trabalhando na prisão e deveria ser homologado pela Justiça o desconto de 890 dias da condenação.

Conforme a Lei de Execução Penal (LEP), um dia deve ser descontado para cada três dias trabalhados. Os dias de remição não foram reconhecidos tanto pelo juízo de 1.ª instância quanto pelo de 2.ª instância.

Relembre o caso

Joans Félix da Silva foi acusado de matar ao menos 50 pessoas. Ele confessou 34 mortes à Polícia Civil. Investigações apontam que ele começou a cometer homicídios em 1986, quando a casa onde morava com a mulher e os três filhos foi invadida. A esposa foi abusada por um dos criminosos durante a ação.

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O justiceiro disse em depoimentos que matou apenas bandidos e que sempre agiu sozinho. Além de vários duplos homicídios, ele foi acusado de cometer uma chacina que deixou cinco mortos. Jonas afirmou que o grupo teria invadido uma festa e matado o dono da casa a machadadas.

Jonas foi preso pela primeira vez em 9 de novembro de 1992. Segundo a SAP (Secretaria Estadual da Administração Penitenciária), ele fugiu em 25 de janeiro de 1994 do antigo COC (Centro de Observações Criminológicas), no Carandiru, Zona Norte de São Paulo.

Em 13 de março de 1996, Jonas foi preso novamente por policiais do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) em uma casa no Jardim Jacira, zona sul. Ele confessou três assassinatos enquanto esteve foragido.