Cuidado no Gov.br: programas espiões em PCs compartilhados miram senhas

Especialistas indicam o uso de 2FA para blindar contas em redes compartilhadas e explicam riscos

Ao acessar serviços públicos em computadores compartilhados, como bibliotecas ou telecentros, o risco de captura de senhas é real.

Ao acessar serviços públicos em computadores compartilhados, como bibliotecas ou telecentros, o risco de captura de senhas é real. | Ilustração/IA/Gazeta SP

O acesso unificado do portal Gov.br tornou-se o alvo principal de criminosos digitais em 2026. Ao utilizar computadores públicos em bibliotecas ou lan houses, o cidadão corre o risco de ter sua senha capturada por programas espiões invisíveis.

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Estes dispositivos compartilhados frequentemente escondem keyloggers, malwares que registram cada tecla digitada em tempo real. Em São Paulo, o grande fluxo de usuários em espaços de inclusão digital exige atenção redobrada para evitar o vazamento de informações sensíveis.

Riscos de vazamento de dados no governo

Segundo o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), mais de 1,2 milhão de tentativas de invasão foram registradas em 2025. O impacto é severo, pois a senha única dá acesso a serviços como Receita Federal, FGTS e a CNH Digital.

Dados da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) indicam que incidentes em órgãos públicos expuseram informações de 90 milhões de brasileiros recentemente. A fragilidade muitas vezes reside no comportamento do usuário ao facilitar o acesso de terceiros.

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Segurança digital e a proteção da LGPD

Apesar dos avanços na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a segurança individual continua sendo a primeira barreira contra o crime organizado. Especialistas alertam para uma “epidemia de phishing”, onde domínios falsos mimetizam o portal oficial.

Para o Centro de Prevenção, Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos de Governo (CTIR Gov), o uso de máquinas públicas sem protocolos rígidos é uma porta aberta para fraudes que sobrecarregam o Judiciário e o sistema bancário brasileiro.

Como proteger sua conta Gov.br

A recomendação central para 2026 é a ativação imediata da Verificação em Duas Etapas (2FA). Essa camada extra exige um código gerado no celular do titular, impedindo o acesso de hackers mesmo que eles tenham conseguido capturar a senha original.

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O diretor do Serpro, Caio Mário, reforça que a 2FA reduz em 99% os riscos de acessos não autorizados. Além disso, é vital nunca salvar credenciais no navegador e sempre realizar o “logoff” completo ao encerrar o uso de qualquer equipamento de terceiros.

O custo da negligência com dados públicos

O impacto dos vazamentos vai além do prejuízo individual, afetando a confiança nas instituições. Quando uma conta é invadida, o criminoso ganha o poder de agir em nome do cidadão perante o Estado, realizando desde transferências até alterações fiscais.

Autoridades reforçam que a proteção de dados é uma necessidade de cidadania na era conectada. Sem a adoção de camadas extras de proteção, o usuário permanece vulnerável em um ecossistema onde a informação pessoal tornou-se a moeda mais valiosa para o crime.

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O que fazer em caso de invasão?

Caso identifique acessos suspeitos, o Serpro recomenda a alteração imediata da senha e a revogação de todas as sessões ativas no menu “Segurança da Conta”. O registro de um Boletim de Ocorrência também é essencial.

  1. Acesse gov.br/seguranca em dispositivo próprio.
  2. Altere senha e revogue sessões ativas em “Gerenciar dispositivos”.
  3. Registre BO online via delegacia virtual.
  4. Contate Serpro via chat Gov.br ou 0800 728 2324.