O cerco em torno do Banco Master atingiu um novo patamar nesta quarta-feira (4/3). Daniel Vorcaro, titular da instituição financeira, foi detido novamente pela Polícia Federal em território paulista.
A determinação partiu do ministro André Mendonça, atual relator da matéria no Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com as diligências da PF, o banqueiro operava um braço operacional denominado “A Turma”, utilizado para vigiar e amedrontar opositores, figuras públicas e jornalistas.
Coerção e vigilância: sistema de Vorcaro para intimidar críticos
O pilar para a nova decretação da prisão preventiva foi o “perigo real de obstrução dos trabalhos investigativos”.
Na visão do especialista em Direito Criminal, Dr. Gabriel Vitorino, a medida não reflete meramente um “rigorismo”, mas sim um “juízo substancial de cautelaridade, sobretudo quando emergem evidências de interferência na produção de provas, ameaça à instrução processual e recidiva delituosa”, destacou.
Conforme o entendimento do relator, a manutenção dos suspeitos em regime de liberdade “viabilizaria a continuidade das engrenagens da associação criminosa, apresentando risco iminente de supressão de provas”.
‘A Turma’: a arquitetura da intimidação
Nas peças do inquérito, a corporação federal detalhou que o grupo “A Turma” possuía uma estrutura segmentada em ao menos quatro eixos.
Entre eles, sobressai o “núcleo de coação e embaraço à Justiça”, encarregado pelo monitoramento clandestino de alvos. Para o Dr. Gabriel Vitorino, a existência de uma “configuração perene, com repartição de funções e objetivos ilícitos, constitui indício fático de organização criminosa”.
Somam-se ao nome de Vorcaro figuras próximas, como seu cunhado, Fabiano Zettel — que se apresentou espontaneamente à sede da PF em São Paulo —, além de Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”, e Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado.
Articulação de violência física
As apurações sugerem que a rede delituosa sustentava um aparato de espionagem e pressão focado na extração ilegal de dados confidenciais e na desestabilização de críticos.
Um dos casos mais graves envolve o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Registros de mensagens expõem um plano para simular um roubo contra o profissional, com a orientação explícita de desferir agressões físicas severas como forma de vingança pelas publicações sobre o banco.
Estratégia de ocultação bilionária
Outro fator determinante para o retorno à prisão é a manobra de dissimulação de R$ 2,2 bilhões do titular do Master na conta bancária de seu pai, Henrique Moura Vorcaro. Tal transação financeira ocorreu durante o curso da apuração, logo após o banqueiro ter obtido liberdade provisória ao final de 2025. Para os investigadores, o episódio ratifica a tese de que o grupo segue reiterando condutas ilícitas.
O volume de irregularidades detectadas pode ser apenas a “ponta do iceberg”. Segundo a Polícia Federal, apenas 10% do acervo apreendido foi periciado até este momento.
Buscando estancar a progressão das práticas criminosas, o ministro André Mendonça determinou a suspensão das operações das firmas vinculadas aos suspeitos.
Segundo o magistrado, tais empresas foram estabelecidas “não com o intuito de gerar valor ou empregos, mas estritamente para servir de fachada para ilícitos”, facilitando operações de lavagem de capitais.
