Ex-prefeito na Grande SP suspeito de elo com PCC pode perder vaga na Câmara após recurso no TSE

Ney Santos recebeu 118.566 votos em São Paulo, mas candidatura é alvo de recurso do Ministério Público Eleitoral no TSE

Ex-prefeito de Embu das Artes e pré-candidato a deputado federal Ney Santos foi internado nesta terça-feira (14) após receber diagnóstico de câncer no pâncreas

Ney Santos foi eleito deputado federal por São Paulo, mas candidatura ainda é analisada pelo TSE - Thiago Neme/Gazeta de S.Paulo

O ex-prefeito de Embu das Artes, na Grande São Paulo, é réu por suspeita de comando de organização criminosa e lavagem de dinheiro. O Ministério Público Eleitoral (MPE) recorreu ao TSE para tentar impedir o registro da candidatura.

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Antes das eleições, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) havia autorizado a candidatura por 3 votos a 2. A decisão foi tomada em 15 de setembro, após o MPE pedir a impugnação do registro.

O recurso ao TSE foi protocolado em 23 de setembro e aguarda análise do relator, ministro Floriano de Azevedo Marques.

Vaga depende de decisão do TSE

Caso o TSE dê provimento ao recurso apresentado pelo MPE, o registro de candidatura de Ney Santos poderá ser indeferido retroativamente.

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Nesse cenário, o resultado das urnas não garantiria a manutenção da vaga conquistada pelo ex-prefeito na Câmara dos Deputados.

O recurso do Ministério Público Eleitoral se baseia em decisões da Justiça Eleitoral que admitem a rejeição de candidaturas de pessoas apontadas como vinculadas a organizações criminosas, mesmo quando não existe sentença penal condenatória definitiva.

Ney Santos responde a processos

Claudinei Alves dos Santos, conhecido como Ney Santos, é réu por comando de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

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Ele também já cumpriu pena por abuso de poder econômico e foi condenado em primeira instância por porte ilegal de arma de fogo com numeração raspada.

Anteriormente, o político foi condenado por formação de quadrilha e ficou dois anos preso por roubo a banco.

Segundo o MPE, mesmo após deixar o sistema prisional, órgãos policiais e o Ministério Público continuaram a receber informações que apontavam uma suposta ligação de Ney Santos com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

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As acusações e processos citados no recurso ainda são objeto de análise pela Justiça.

TRE-SP autorizou candidatura por 3 votos a 2

No julgamento realizado em setembro, a relatora Danyelle Galvão votou pelo deferimento da candidatura.

Os juízes Regis de Castillo e Maria Cláudia Bedotti acompanharam o voto da relatora. Já os desembargadores Mairan Maia Júnior e Roberto Maia votaram contra.

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A magistrada Fernanda Massad declarou suspeição e não participou do julgamento.

Ao justificar o voto, a relatora destacou que a inelegibilidade decorrente da condenação por abuso de poder econômico havia terminado em 2024.

Ela também apontou que a acusação relacionada ao suposto comando de organização criminosa ainda estava em fase de instrução.

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Ney Santos mantém influência na Grande São Paulo

Ney Santos é uma das principais lideranças políticas de Embu das Artes e da região sudoeste da Grande São Paulo.

Enquanto estava inelegível, ele apoiou a eleição de Hugo Prado (Republicanos) para a Prefeitura de Embu das Artes, em 2024. O candidato recebeu cerca de 88 mil votos.

A influência política também se estendeu à família. A irmã de Ney Santos, Ely Santos (Republicanos), foi eleita primeira suplente de deputada federal em 2022 e assumiu uma cadeira na Câmara em 2024.

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Em 2026, Ely Santos conquistou uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

Ex-prefeito comemorou resultado

Após a divulgação do resultado das urnas no domingo (4/10), Ney Santos comemorou a eleição nas redes sociais.

“Deus é especialista em milagres e cumpre o que promete”, publicou.

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A definição sobre a validade do registro da candidatura, porém, ainda depende do julgamento do recurso apresentado pelo Ministério Público Eleitoral no TSE.