O ex-prefeito de Embu das Artes, na Grande São Paulo, é réu por suspeita de comando de organização criminosa e lavagem de dinheiro. O Ministério Público Eleitoral (MPE) recorreu ao TSE para tentar impedir o registro da candidatura.
Antes das eleições, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) havia autorizado a candidatura por 3 votos a 2. A decisão foi tomada em 15 de setembro, após o MPE pedir a impugnação do registro.
O recurso ao TSE foi protocolado em 23 de setembro e aguarda análise do relator, ministro Floriano de Azevedo Marques.
Vaga depende de decisão do TSE
Caso o TSE dê provimento ao recurso apresentado pelo MPE, o registro de candidatura de Ney Santos poderá ser indeferido retroativamente.
Nesse cenário, o resultado das urnas não garantiria a manutenção da vaga conquistada pelo ex-prefeito na Câmara dos Deputados.
O recurso do Ministério Público Eleitoral se baseia em decisões da Justiça Eleitoral que admitem a rejeição de candidaturas de pessoas apontadas como vinculadas a organizações criminosas, mesmo quando não existe sentença penal condenatória definitiva.
Ney Santos responde a processos
Claudinei Alves dos Santos, conhecido como Ney Santos, é réu por comando de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Ele também já cumpriu pena por abuso de poder econômico e foi condenado em primeira instância por porte ilegal de arma de fogo com numeração raspada.
Anteriormente, o político foi condenado por formação de quadrilha e ficou dois anos preso por roubo a banco.
Segundo o MPE, mesmo após deixar o sistema prisional, órgãos policiais e o Ministério Público continuaram a receber informações que apontavam uma suposta ligação de Ney Santos com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
As acusações e processos citados no recurso ainda são objeto de análise pela Justiça.
TRE-SP autorizou candidatura por 3 votos a 2
No julgamento realizado em setembro, a relatora Danyelle Galvão votou pelo deferimento da candidatura.
Os juízes Regis de Castillo e Maria Cláudia Bedotti acompanharam o voto da relatora. Já os desembargadores Mairan Maia Júnior e Roberto Maia votaram contra.
A magistrada Fernanda Massad declarou suspeição e não participou do julgamento.
Ao justificar o voto, a relatora destacou que a inelegibilidade decorrente da condenação por abuso de poder econômico havia terminado em 2024.
Ela também apontou que a acusação relacionada ao suposto comando de organização criminosa ainda estava em fase de instrução.
Ney Santos mantém influência na Grande São Paulo
Ney Santos é uma das principais lideranças políticas de Embu das Artes e da região sudoeste da Grande São Paulo.
Enquanto estava inelegível, ele apoiou a eleição de Hugo Prado (Republicanos) para a Prefeitura de Embu das Artes, em 2024. O candidato recebeu cerca de 88 mil votos.
A influência política também se estendeu à família. A irmã de Ney Santos, Ely Santos (Republicanos), foi eleita primeira suplente de deputada federal em 2022 e assumiu uma cadeira na Câmara em 2024.
Em 2026, Ely Santos conquistou uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
Ex-prefeito comemorou resultado
Após a divulgação do resultado das urnas no domingo (4/10), Ney Santos comemorou a eleição nas redes sociais.
“Deus é especialista em milagres e cumpre o que promete”, publicou.
A definição sobre a validade do registro da candidatura, porém, ainda depende do julgamento do recurso apresentado pelo Ministério Público Eleitoral no TSE.
