A proposta de fim da escala 6×1 de trabalho, que deve ser pautada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado logo após o recesso de Carnaval, tem como trunfo o pedido de urgência do Chefe de Estado.
A estratégia busca acelerar a tramitação antes do pleito eleitoral, contando com a articulação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
O fim da escala 6×1 tornou-se uma bandeira valiosa para candidatos que buscam diálogo com a base eleitoral às vésperas das eleições. No entanto, o tema é complexo e mexe diretamente com os fundamentos do mercado econômico.
Debate com responsabilidade
O tema exige equilíbrio. Para além do impacto econômico, o projeto coloca em pauta a reestruturação da jornada de trabalho no país. A proximidade com as eleições de 2026 acende o alerta para o risco de o debate técnico ser ofuscado por interesses eleitorais momentâneos, o que poderia comprometer a aplicação real da medida no longo prazo.
Do lado do setor produtivo, Paulo Solmucci, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), defende que a mudança pode, ao final, ser prejudicial. Em declaração ao UOL, o empresário afirmou que o trabalhador pode não estar ciente dos custos econômicos da reforma: “Eles estão cientes disso? A sociedade concordaria com a redução da jornada para pagar mais pelo serviço ou produto?”, questiona.
Na contramão dessa visão, diversas empresas de diferentes ramos já estão abolindo a escala 6×1 por conta própria. Diante da escassez de mão de obra, o Grupo Savegnago, do setor de varejo, extinguiu o modelo e colheu resultados positivos: aumento de produtividade e queda acentuada nos pedidos de demissão e faltas.
O que falta para virar lei?
O caminho legislativo é rigoroso e depende de onde a proposta ganha mais tração:
No Senado (PEC 148/2015):
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Status: Aprovada na CCJ em dezembro de 2025; agora aguarda votação em dois turnos no Plenário (exige 49 votos favoráveis em cada).
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Próximos passos: Se aprovada, segue para a Câmara para análise na CCJ, Comissão Especial e Plenário.
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Finalização: Sem alterações, vai à sanção presidencial.
Na Câmara dos Deputados:
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Status: PEC protocolada e encaminhada à CCJ em fevereiro de 2026 pelo presidente Hugo Motta.
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Tramitação: Se admitida na CCJ, segue para Comissão Especial e dois turnos no Plenário (mínimo de 308 votos).
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Conclusão: Retorna ao Senado se houver mudanças no texto; caso contrário, segue para sanção.
