O aiatolá Alireza Arafi foi eleito líder supremo interino do Irã neste domingo (1°/3) para conduzir o processo de escolha do novo comandante máximo do país, após a morte de Ali Khamenei durante ataques coordenados entre Estados Unidos e Israel. A informação foi divulgada por agências iranianas e pela Reuters.
Arafi assume temporariamente a chefia do Conselho de Liderança, órgão criado para garantir a transição de poder até que a Assembleia dos Peritos eleja oficialmente o novo líder supremo do Irã. O país decretou 40 dias de luto pela morte de Khamenei.
Conselho interino comandará escolha do novo líder supremo
Arafi foi escolhido pelo Conselho de Discernimento do Interesse do Estado e passa a integrar o colegiado provisório ao lado do presidente Masoud Pezeshkian e do chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei. O grupo terá a missão de organizar o processo sucessório em meio à escalada do conflito no Oriente Médio.
Entre os nomes cotados para substituir Khamenei estão Mojtava Khamenei, filho do líder morto, e Hassan Khomeini, neto do fundador da República Islâmica, Ruhollah Khomeini.
Os ataques também atingiram membros do alto escalão iraniano. Morreram Ali Shamkhani, chefe do Conselho de Defesa Nacional; Mohammad Pakpour, comandante da Guarda Revolucionária; e Amir Nasirzadeh, ministro da Defesa.
Como funciona a estrutura de poder no Irã
O sistema político iraniano combina líderes eleitos, clérigos nomeados e forte influência militar. No topo da hierarquia estava Ali Khamenei, nomeado vitaliciamente em 1989 pela Assembleia dos Peritos.
O líder supremo concentra amplos poderes previstos no artigo 110 da Constituição, incluindo a nomeação de chefes do Judiciário, da mídia estatal e de membros do Conselho dos Guardiões, órgão responsável por validar leis e candidaturas eleitorais.
O Parlamento iraniano, conhecido como Majlis, possui 290 membros eleitos para mandatos de quatro anos. Já a Guarda Revolucionária, criada após a Revolução Islâmica de 1979, tornou-se uma das principais forças políticas e militares do país.
Ataques ampliam tensão no Oriente Médio
A morte de Khamenei foi confirmada pela agência estatal Irna, que classificou o episódio como “martírio”. O governo iraniano prometeu que o ataque “não ficará impune”.
O presidente americano Donald Trump afirmou que a ofensiva teve como objetivo defender interesses dos EUA. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou haver indícios de que Khamenei “não estava mais entre nós”, antes da confirmação oficial.
Após o ataque inicial, o Irã lançou mísseis contra Israel e contra bases militares americanas no Oriente Médio, atingindo instalações no Qatar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia e norte do Iraque. Israel fechou o espaço aéreo e declarou estado de emergência.
Explosões foram registradas em cidades iranianas como Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah. O tráfego aéreo foi suspenso, e há falhas severas em serviços de internet e telefonia.
A escolha definitiva do novo líder supremo será decisiva para os próximos passos do Irã em meio à crise geopolítica que já impacta todo o Oriente Médio.
