Após a morte de Khamenei, Irã nomeia novo líder supremo interino

Líder supremo concentra amplos poderes previstos no artigo 110 da Constituição

Arafi foi escolhido pelo Conselho de Discernimento do Interesse do Estado e passa a integrar o colegiado provisório ao lado do presidente

Arafi foi escolhido pelo Conselho de Discernimento do Interesse do Estado e passa a integrar o colegiado provisório ao lado do presidente | Reprodução/Wikimedia Commons

O aiatolá Alireza Arafi foi eleito líder supremo interino do Irã neste domingo (1°/3) para conduzir o processo de escolha do novo comandante máximo do país, após a morte de Ali Khamenei durante ataques coordenados entre Estados Unidos e Israel. A informação foi divulgada por agências iranianas e pela Reuters.

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Arafi assume temporariamente a chefia do Conselho de Liderança, órgão criado para garantir a transição de poder até que a Assembleia dos Peritos eleja oficialmente o novo líder supremo do Irã. O país decretou 40 dias de luto pela morte de Khamenei.

Conselho interino comandará escolha do novo líder supremo

Arafi foi escolhido pelo Conselho de Discernimento do Interesse do Estado e passa a integrar o colegiado provisório ao lado do presidente Masoud Pezeshkian e do chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei. O grupo terá a missão de organizar o processo sucessório em meio à escalada do conflito no Oriente Médio.

Entre os nomes cotados para substituir Khamenei estão Mojtava Khamenei, filho do líder morto, e Hassan Khomeini, neto do fundador da República Islâmica, Ruhollah Khomeini.

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Os ataques também atingiram membros do alto escalão iraniano. Morreram Ali Shamkhani, chefe do Conselho de Defesa Nacional; Mohammad Pakpour, comandante da Guarda Revolucionária; e Amir Nasirzadeh, ministro da Defesa.

Como funciona a estrutura de poder no Irã

O sistema político iraniano combina líderes eleitos, clérigos nomeados e forte influência militar. No topo da hierarquia estava Ali Khamenei, nomeado vitaliciamente em 1989 pela Assembleia dos Peritos.

O líder supremo concentra amplos poderes previstos no artigo 110 da Constituição, incluindo a nomeação de chefes do Judiciário, da mídia estatal e de membros do Conselho dos Guardiões, órgão responsável por validar leis e candidaturas eleitorais.

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O Parlamento iraniano, conhecido como Majlis, possui 290 membros eleitos para mandatos de quatro anos. Já a Guarda Revolucionária, criada após a Revolução Islâmica de 1979, tornou-se uma das principais forças políticas e militares do país.

Ataques ampliam tensão no Oriente Médio

A morte de Khamenei foi confirmada pela agência estatal Irna, que classificou o episódio como “martírio”. O governo iraniano prometeu que o ataque “não ficará impune”.

O presidente americano Donald Trump afirmou que a ofensiva teve como objetivo defender interesses dos EUA. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou haver indícios de que Khamenei “não estava mais entre nós”, antes da confirmação oficial.

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Após o ataque inicial, o Irã lançou mísseis contra Israel e contra bases militares americanas no Oriente Médio, atingindo instalações no Qatar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia e norte do Iraque. Israel fechou o espaço aéreo e declarou estado de emergência.

Explosões foram registradas em cidades iranianas como Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah. O tráfego aéreo foi suspenso, e há falhas severas em serviços de internet e telefonia.

A escolha definitiva do novo líder supremo será decisiva para os próximos passos do Irã em meio à crise geopolítica que já impacta todo o Oriente Médio.