Lula e Alckmin: de rivais a aliados, dobradinha mira governar juntos até 2030

Adversários em 2006, com acusações de 'fascismo' ao pragmatismo das urnas no último pleito; entenda como a aliança que garantiu 2022 sobrevive

Presidente Lula e o vice Geraldo Alckmin se tornaram 'companheiros' e vão repetir dobradinha

Presidente Lula e o vice Geraldo Alckmin se tornaram 'companheiros' e vão repetir dobradinha | Ricardo Stuckert/Presidência da República

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou, na última terça-feira (31/3), que Geraldo Alckmin (PSB) será candidato a vice-presidente na chapa dele, que disputará reeleição neste ano, em 2026.

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O que hoje é visto como uma parceria de estabilidade institucional nasceu sob o olhar desconfiado de alas históricas da esquerda e o arquivo implacável da internet. A política brasileira é, acima de tudo, a arte de engolir sapos — e, no caso da aliança entre Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin, o banquete foi completo. 

Relembrar o caminho que levou o “picolé de chuchu” ao posto de vice-presidente é mergulhar em duas décadas de uma rivalidade que, em 2006, parecia inconciliável, mas que em 2022 encontrou no pragmatismo o único caminho para a vitória.

O tempo das ofensas 

Para entender o tamanho da reviravolta, é preciso voltar ao embate de 2006. Naquela época, o PT não economizava no vocabulário: Alckmin era frequentemente chamado de “fascista do tucanistão” e acusado de ser o rosto de um projeto que visava “quebrar o Brasil”. 

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Do outro lado, o tom não era mais brando. Alckmin chegou a disparar que Lula queria voltar à cena do crime e que o governo petista era “chefiado por uma quadrilha”, se referindo ao mensalão.

Em debates memoráveis, o então tucano questionava a ética do adversário com uma agressividade que hoje soa como ficção diante das fotos de sorrisos e apertos de mão no Planalto.

A resistência interna e o sonho do ‘puro-sangue’

A costura dessa união não foi um passeio no parque. Dentro do PT, o desembarque de Alckmin foi recebido com fogo amigo. Setores mais à esquerda do partido e movimentos sociais defendem uma chapa “puro-sangue”, temendo que a presença de um ex-tucano diluísse a agenda progressista ou, pior, repetisse o trauma de Michel Temer – vice de Dilma Rousseff em 2010 e 2014.

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A tese era de que o PT tinha força suficiente para vencer sem “se vender” ao centro. No entanto, a leitura de Lula foi cirúrgica: sem o aceno ao mercado e à classe média paulista que Alckmin representava, o teto eleitoral de 2022 poderia ser fatal, decisão essa que se manteve para 2026.

O saldo de 2022 e a decisão de repetir a dose em 2026

Apesar do constrangimento de ver vídeos antigos circulando no WhatsApp, a estratégia se provou vencedora. O “lado bom” da aliança apareceu nos números: Alckmin foi o fiador que acalmou o setor produtivo e ajudou a furar a bolha em redutos onde o petismo era repelido. 

A vitória apertada de 2022 é creditada, em grande parte, a essa capacidade de converter antigos inimigos em aliados de ocasião. Como o próprio Alckmin declarou recentemente, “divergências do passado não são pretexto para deixar de apoiar um projeto de país”. 

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No fim, o rito de passagem do “concreto de Brasília” mostrou que, na política, o inimigo de hoje é o vice de amanhã.