Moraes nega ida de Bolsonaro à posse de Trump; entenda a decisão

Entre os argumentos, ministro do STF disse que não houve convite formal de Trump e que há o risco de Bolsonaro fugir do Brasil

Ex-mandatário está em prisão domiciliar desde 4 de agosto

O passaporte de Bolsonaro foi apreendido pela Polícia Federal em fevereiro de 2024 | Valter Campanato/Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta quinta-feira (16/1) o pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de participar da posse do presidente eleito Donald Trump, nos Estados Unidos.

Continua após a publicidade

O que argumentou Moraes

Segundo STF, Bolsonaro não apresentou o convite forma para a posse naquele país, com quem tem afinidade ideológica. Esta é a quarta vez que o STF nega a restituição do passaporte ao ex-presidente.

“Não foi juntado aos autos nenhum documento probatório que demonstrasse a existência de convite realizado pelo presidente eleito dos EUA ao requerente Jair Messias Bolsonaro, conforme alegado pela defesa”, argumentou Moraes.

O ministro do STF também escreveu que Bolsonaro segue dando indícios de que deseja fugir do País, e citou que o deputado Eduardo Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente, apoia condenados pelo 8 de Janeiro que fugiram para o exterior, em especial para a Argentina.

Continua após a publicidade

A Procuradoria-Geral da República (PGR) também se manifestou contra a viagem de Bolsonaro. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, apontou não haver “interesse público” que justifique a devolução do passaporte de Bolsonaro.

A defesa do ex-mandatário não havia se manifestado oficialmente até o fechamento deste texto.

Apreensão do passaporte

O passaporte de Bolsonaro foi apreendido pela Polícia Federal em fevereiro de 2024 durante as investigações de uma suposta tentativa de golpe de Estado para manter Bolsonaro no poder.

Continua após a publicidade

Em novembro do ano passado, Bolsonaro e mais 39 pessoas foram indiciadas pela PF por tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

O caso está sob análise da Procuradoria-geral da República (PGR), que deve decidir até fevereiro se os investigados serão ou não denunciados ao Supremo. Há expectativa no STF de que eles sejam formalmente acusados.