O Supremo Tribunal Federal (STF) atravessa a maior crise de imagem de sua história. Com os recentes escândalos que respingaram na Corte, ministros passaram a ser atrelados a possíveis atos ilícitos e questionados moralmente por suas decisões.
Hoje, o tribunal não luta apenas por questões jurídicas, mas contra a erosão de sua própria credibilidade em meio a turbulências políticas e uma enxurrada de pedidos de impeachment.
A ‘Lista do Senado’: o recorde do impeachment
Com os desdobramentos do Caso Master, nomes como os de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli voltaram a dominar as manchetes dos principais veículos do país. No entanto, mesmo antes do ápice desse escândalo, a pressão parlamentar já era recorde.
No Senado Federal, os números impressionam: o ministro Moraes lidera com 47 pedidos de impeachment protocolados; Gilmar Mendes aparece em seguida com 13; Dias Toffoli soma 12; e Edson Fachin, que preside a Casa, fecha a lista com 5 solicitações.
O Supremo é a instância máxima do Judiciário brasileiro, atuando como o guardião da Constituição. É papel fundamental da Corte processar infrações penais de autoridades como o Presidente da República e membros do Congresso.
Contudo, quando a reputação dos integrantes de uma cúpula tão vital é colocada à prova, o perigo institucional torna-se real — risco potencializado por ser um ano eleitoral.
Da hostilidade digital ao confronto real
Sinais de que o clima em Brasília não caminha bem são visíveis: da hostilidade nas redes sociais às reclamações em plenário. Recentemente, o ministro Flávio Dino usou seu tempo de fala para criticar ofensas virtuais, enquanto Alexandre de Moraes viu-se envolvido em um entrevero pessoal em um aeroporto na Itália.
Para o colunista do UOL, Josias de Souza, o cenário mudou drasticamente. “Aquela pregação em favor do impeachment era vista como um grande absurdo durante a gestão Bolsonaro. Hoje, tornou-se algo sobre o qual as pessoas começam a refletir: a conveniência de incluir na agenda o eventual afastamento de ministros do Supremo”, afirma.
A ‘vacina’ de Fachin: o código de ética
Diante das investigações da Polícia Federal no Caso Master, a cúpula demonstra dificuldade em “estancar a sangria”. Em uma tentativa de resposta, o presidente Edson Fachin saiu em defesa da criação de um inédito “código de conduta”.
Segundo o analista de política Pedro Venceslau, durante o Agora CNN, o ministro tem enfrentado resistência interna ao tentar convencer seus colegas a adotarem um conjunto rígido de regras éticas.
A falta de transparência e o vazamento a conta-gotas de relatórios da PF aumentam a desconfiança. Josias de Souza aponta que ignorar o problema não o faz sumir. “O Supremo está fingindo que os fatos não existem. Só que quem ignora a realidade não faz a realidade sumir. Cada gota despejada no noticiário a respeito desse relatório torna o Supremo vítima do seu próprio silêncio”, conclui o colunista.








