Depois de semanas de pressão direta e negociações reservadas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva bateu o martelo nesta quinta-feira (26/2): o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, será candidato ao governo de São Paulo.
A decisão, confirmada no fim da tarde por aliados do Planalto, reposiciona o PT na principal disputa estadual do país e coloca o governador Tarcísio de Freitas diante de um adversário de peso.
Haddad resistiu até onde pôde. O ministro avaliava o custo de deixar a equipe econômica em meio a um cenário ainda sensível.
Lula, porém, tratou a eleição paulista como estratégica e pessoal. Para o presidente, São Paulo não pode ser entregue sem enfrentamento direto.
A pressão que virou decisão
Nos bastidores, a movimentação começou ainda no início do ano, quando o Planalto passou a avaliar que o partido corria o risco de entrar fragilizado na disputa pelo maior colégio eleitoral do País.
A leitura interna era simples: sem um nome com recall consolidado, a eleição poderia se resolver antes mesmo de começar.
Haddad defendia cautela. Argumentava que sua permanência na Fazenda garantia estabilidade ao governo e previsibilidade ao mercado. Também considerava mais confortável uma eventual disputa ao Senado.
Mas Lula foi direto: queria seu ministro na linha de frente.
Interlocutores relatam que o presidente reforçou que a eleição paulista terá peso nacional e pode definir o ambiente político dos próximos anos.
