Bactéria em 100 lotes: Anvisa mantém suspensão de produtos da Ypê

Por unanimidade, agência derrubou o recurso da fabricante e alertou para falhas críticas de qualidade

Ypê teve suspensão mantida pela Anvisa para linhas de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes após fiscalização identificar falhas no processo produtivo

Ypê teve suspensão mantida pela Anvisa para linhas de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes após fiscalização identificar falhas no processo produtivo | Divulgação/Ypê

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu nesta sexta-feira (15/5) manter a suspensão da fabricação, comercialização e uso de linhas de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes da Ypê.

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A decisão foi tomada por unanimidade pela Diretoria Colegiada da agência.

Com isso, voltam a valer os efeitos da Resolução 1.834/2026, publicada na última terça-feira (5/5), que atinge lotes de produtos das categorias detergente, lava-roupas líquido e desinfetante com numeração final 1.

Durante a sessão, os diretores da Anvisa afirmaram que as medidas apresentadas pela empresa foram consideradas insuficientes diante dos riscos sanitários identificados durante a fiscalização.

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Segundo a agência, ainda há preocupação com possíveis casos de contaminação microbiológica nos produtos.

O diretor Thiago Campos afirmou, durante o voto, que “aguardar certeza absoluta do dano, em matéria sanitária, significa agir tardiamente”.

A análise do processo administrativo sanitário ainda não foi concluída de forma definitiva. O mérito do caso será julgado posteriormente pela Diretoria Colegiada da Anvisa.

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A decisão foi baseada em uma avaliação técnica realizada pela agência em conjunto com o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, após inspeção conduzida com apoio do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo e da Vigilância Sanitária de Amparo, no interior paulista, onde fica a unidade da Química Amparo, fabricante da Ypê.

Segundo a Anvisa, a fiscalização encontrou falhas em etapas críticas do processo produtivo, incluindo problemas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade.

A agência informou ainda que a bactéria Pseudomonas aeruginosa foi identificada em mais de 100 lotes de produtos acabados da marca.

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O órgão aponta que os problemas encontrados comprometem o cumprimento das Boas Práticas de Fabricação de saneantes e podem representar risco de contaminação microbiológica.

Após a publicação da resolução, a empresa apresentou recurso administrativo com pedido de efeito suspensivo, o que havia interrompido temporariamente os efeitos da medida até a deliberação da Diretoria Colegiada.

Em nota divulgada anteriormente, a Anvisa orientou consumidores a não utilizarem os produtos atingidos pela suspensão.

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A agência também informou que a orientação sobre troca, devolução ou ressarcimento deve ser feita pela própria empresa, por meio do Serviço de Atendimento ao Consumidor.

Após decisão da Anvisa, ingredientes simples como bicarbonato, vinagre e limão aparecem como alternativas práticas para a limpeza da cozinha Fiscalização encontrou falhas em etapas críticas do processo produtivo – Divulgação/Ypê 

Entenda o perigo da bactéria

A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria encontrada em ambientes úmidos, como água, solo e superfícies. O microrganismo costuma representar maior risco para pessoas imunossuprimidas, como pacientes em tratamento contra câncer, transplantados e pessoas com doenças que afetam o sistema imunológico.

De acordo com orientações gerais da empresa, consumidores que utilizaram os produtos e não apresentaram sintomas não precisam procurar atendimento médico apenas pelo uso.

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A recomendação é interromper o uso dos itens afetados e observar possíveis sinais de irritação na pele, olhos ou sintomas de infecção.

Em casos de contato com olhos, mucosas ou feridas abertas, a orientação é lavar a região com água abundante e buscar avaliação médica caso os sintomas persistam.

O que diz a Ypê

Em nota divulgada nesta semana, a Ypê afirmou que recebeu a decisão com “indignação” e classificou a medida como “arbitrária e desproporcional”.

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A empresa informou que apresentou recurso administrativo e sustentou que, com base na regulamentação da própria Anvisa, os efeitos da proibição haviam sido suspensos temporariamente até nova manifestação da agência.

A fabricante também afirmou que a segurança dos consumidores segue sendo prioridade e declarou que mantém um plano de melhorias na unidade produtiva.

Sobre os riscos associados aos produtos, a empresa informou anteriormente que o uso normal dos itens, diluídos em água, reduz significativamente qualquer carga bacteriana.

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A Ypê também afirmou que não há registros na literatura médica de infecções causadas por roupas lavadas com detergentes domésticos.

Segundo a fabricante, a bactéria não oferece risco por inalação e o principal cuidado seria evitar contato direto e prolongado do produto concentrado com a pele, especialmente em pessoas imunossuprimidas com feridas abertas.

Ypê pede sessão pública à Anvisa

A Ypê informou que solicitou à Anvisa que a reunião extraordinária da Diretoria Colegiada realizada nesta sexta-feira (15/5) ocorresse de forma pública.

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Segundo a fabricante, a empresa abriu mão do sigilo do processo e autorizou a divulgação das informações relacionadas ao caso.

Na nota, a Ypê afirmou que mantém “plena convicção” nas medidas adotadas para atender às orientações do órgão regulador e declarou que segue comprometida com eventuais ajustes adicionais que venham a ser determinados pela agência.

A companhia também reiterou o compromisso com a segurança e a qualidade dos produtos comercializados ao longo de seus mais de 75 anos de atuação.