Por que a carne de porco é chamada de ‘remosa’ em algumas regiões do Brasil?

Muita gente evita carne de porco e frituras após tatuagem ou cirurgia, mas as evidências disponíveis apontam para outro caminho

A ideia de 'comida remosa' é forte no Norte e Nordeste, porém estudos sugerem que o problema pode estar mais nas reações do corpo

A ideia de 'comida remosa' é forte no Norte e Nordeste, porém estudos sugerem que o problema pode estar mais nas reações do corpo | Freepik

Nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, alimentos como carne de porco, frutos do mar e frituras costumam entrar na lista do que se chama de comida remosa.

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Uma possível explicação para essa fama está nas reações alérgicas a esses pratos, que afetam muitas pessoas.

Outra hipótese envolve a crença popular de que esses alimentos prejudicariam o sistema imunológico, deixariam o sangue mais viscoso e dificultariam a cicatrização. O termo “remosa” vem do grego reimos, que significa viscoso.

Quem passa por tatuagem, piercing ou pequenos procedimentos costuma ouvir a recomendação de cortar esses itens da dieta por alguns dias.

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Ainda assim, não existem dados sólidos que comprovem que essas comidas atrapalham a cicatrização. Pelo contrário, as evidências disponíveis apontam para outro caminho.

O que diz a ciência

Para testar essa hipótese, um estudo de 2014 citado pela revista Superinteressante decidiu observar o processo de cicatrização de perto.

Os pesquisadores fizeram pequenos cortes cirúrgicos em 30 ratos e acompanharam a evolução das feridas. Parte dos animais recebeu ração comum, enquanto o outro grupo consumiu ração misturada com carne de porco.

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O resultado foi inesperado. Os ratos que ingeriram carne de porco apresentaram cicatrização mais rápida do que aqueles mantidos apenas com a dieta básica.

Além disso, as cicatrizes desse grupo mostraram maior resistência, indicando uma recuperação mais eficiente do tecido. Segundo os autores, isso pode estar ligado ao maior teor de proteínas, gorduras e calorias da carne suína, nutrientes importantes para a regeneração do organismo.

Para entender melhor como a carne suína se compara a outras opções, a Gazeta já mostrou uma análise sobre o tema em: qual carne tem mais proteína entre boi, peixe, porco ou frango.

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Limites do estudo

Esses dados não significam que consumir carne de porco após cirurgias seja indicado. O mais saudável é manter uma alimentação equilibrada de forma contínua, em vez de focar em um único item da dieta.

Outro ponto importante é o alcance da pesquisa. Um estudo isolado, feito apenas com ratos, não é suficiente para definir recomendações amplas. Para conclusões mais sólidas, seriam necessários novos trabalhos, com amostras maiores e testes em humanos.