Durante o ano novo muitas pessoas querem aproveitar para esquecer os problemas e os meses passados. Algumas pulam ondas, outras comem 12 uvas e a maioria consome álcool. O que fica complicado é a ressaca no dia seguinte.
A Gazeta ouviu Alfredo Salim, médico clínico-geral do Hospital Sírio-Libanês, para esclarecer como o corpo funciona durante a ingestão de álcool e como lidar com a ressaca de ano novo.
Como o álcool afeta o corpo humano
Durante os primeiros goles de uma bebida alcoólica a pessoa fica um pouco mais extrovertida, animada e espontânea. Conforme as doses aumentam, o ser humano perde a crítica — parte de análise avaliativa de algo —, pode ficar mais depressivo ou agressivo.
Os processos seguintes são: perda de equilíbrio, voz pastosa, sonolência e em casos mais severos um coma alcoólico, quando o corpo não consegue digerir toda a bebida em pouco tempo.
“O álcool mexe muito no sistema nervoso, pode causar gastrite alcoólica e também hepatite alcoólica”, afirma Salim.
Mas isso você já sabe por pura prática. Como é esse efeito dentro do corpo? Duas enzimas são responsáveis por metabolizar a bebida: álcool desidrogenase e a aldeído desidrogenase.
A primeira, converte o etanol em acetaldeído — substância tóxica para o organismo que pode causar danos estruturais e funcionais permanentes nos tecidos do cérebro. Para evitá-lo, a segunda enzima aparece e converte esse composto em ácido acético, que gera energia nas células.
Inicialmente, esse processo confere uma sensação de bem-estar ao corpo humano. Depois, o álcool entra no sistema sanguíneo e chega até o cérebro, mais especificamente nas fendas sinápticas — local onde ocorre a troca de informações químicas entre os neurônios.
Dessa forma, fica difícil a movimentação dos neurotransmissores e do processo de chegada deles até as células receptoras. Isso provoca lentidão nas ações. Aí que ocorre a embriaguez.
Além disso, neurotransmissores como dopamina e serotonina são liberados em quantidades acima do normal. Nesse momento, o organismo sente, além do bem-estar, relaxamento, desinibição e euforia.
O que fazer na ressaca de ano novo
“Ingerir alimentos que são facilmente metabolizados: frutas, legumes e verduras. Não deve ter muita gordura, fritura ou comidas que causam uma digestão difícil. Mas principalmente tomar bastante líquido: água, sucos, água de coco”, explicou Salim.
Uma das principais dicas do especialista é não ingerir álcool de estômago vazio. Mas a melhor maneira para evitar a ressaca é ingerir água entre as doses. “Isso ajuda a diminuir o mal-estar e a ingestão de álcool”.
Caso essas medidas não tenham sido tomadas, os efeitos de dor de cabeça e sensação de enjôo podem durar sete, oito ou até doze horas, vai depender da quantidade ingerida. A idade também influencia no processo.
“A pessoa mais idosa tem maior dificuldade para eliminar o álcool circulante, mexe mais com o cérebro. Teoricamente, a pessoa da terceira idade com grande ingestão alcoólica sofre mais para devolver esse álcool para o meio ambiente”, explica.
O peso é outro fator determinante. O obeso acumula álcool na gordura, no tecido celular subcutâneo. Isso pode prolongar o tempo do efeito do álcool sobre o corpo.
“Glicose, líquido e tempo, são os três melhores remédios para sair da ressaca. Além de analgésicos ou anti-vômito para sair da ressaca”, concluiu Salim. Por isso, durante a virada do ano é recomendado beber com cautela.
