Cúrcuma em cápsulas pode ser bastante perigosa para a saúde

Segundo médica da USP, consumo da substância pode estar associado a lesões hepáticas e até casos de hepatite

O uso gastronômico da cúrcuma, porém, é considerado totalmente seguro

O uso gastronômico da cúrcuma, porém, é considerado totalmente seguro | Karl Solano/Pexels

A cúrcuma ganhou popularidade nos últimos anos por seus possíveis efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios. No entanto, é importante diferenciar o uso alimentar do consumo em suplementos, dizem especialistas.

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Segundo a médica hepatologista Patrícia Almeida, especialista em doenças do fígado e transplante hepático no Hospital das Clínicas da USP, o consumo em forma concentrada traz riscos.

“Ela realmente tem um efeito anti-inflamatório no nosso corpo, que pode inclusive levar a um desequilíbrio da nossa capacidade imunológica, ou seja, das defesas do organismo. O principal risco é a ideia de que, por ser natural, ela seria sempre segura, e isso não é verdade”, iniciou.

Segundo a especialista, o consumo em cápsulas, extratos e fórmulas concentradas pode estar associado a efeitos adversos importantes, incluindo lesões hepáticas e até casos de hepatite.

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária já alertou para os riscos do uso de cúrcuma em formulações concentradas, como suplementos e medicamentos. 

“Diversos países observaram casos de hepatites e lesões hepáticas significativas possivelmente relacionadas ao uso de produtos à base de cúrcuma. Não foi apenas a Anvisa, mas outras agências regulatórias ao redor do mundo fizeram alertas semelhantes”, explicou a médica.

Falta de evidências

O foco da preocupação está nos suplementos, especialmente cápsulas e extratos, muitas vezes manipulados e sem fiscalização rigorosa. “Não há evidências científicas claras de que a suplementação com cúrcuma seja eficaz na melhora do desempenho, da imunidade ou mesmo como agente anti-inflamatório”, destacou a hepatologista.

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Apesar dos alertas, o uso da cúrcuma como tempero continua sendo considerado seguro. “O problema não está na cúrcuma utilizada na alimentação, mas nas cápsulas e extratos concentrados”, reforçou a especialista.

Como tudo o que é consumido pelo ser humano é metabolizado pelo fígado, o uso indiscriminado de suplementos pode sobrecarregar o órgão. A recomendação é clara: evitar a suplementação sem acompanhamento médico.