A diabetes é uma doença crônica que assola diversas pessoas ao redor do país. De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil é o quinto país em incidência da enfermidade no mundo, com 16,8 milhões de adultos doentes.
Apesar de ser um problema amplo na saúde pública nacional, muitas pessoas têm dúvidas sobre a diabetes, o que dificulta que a doença seja identificada, prevenida e tratada adequadamente.
“Como acontece?”, “quais são os sintomas?” e “há cura?” são algumas das principais perguntas sobre esse tema, respondidas e explicadas pela endocrinologista doutora Adriana Fernandes, em vídeo para o canal do YouTube do Hospital Israelita Albert Einstein.
O que é a diabetes?
Essa doença é uma síndrome metabólica crônica caracterizada pela hiperglicemia, condição marcada por níveis elevados de açúcar no sangue. Isso ocorre porque o corpo não produz insulina suficiente ou não consegue utilizá-la adequadamente.
A insulina é um hormônio pancreático responsável pela regulação do nível de açúcar na corrente sanguínea e é essencial para a entrada da glicose nas células, para que ela seja convertida em energia.
O que leva uma pessoa a ter a doença?
A deficiência de insulina é a principal causa para o desenvolvimento da diabetes. Essa condição pode ser ocasionada por diversos fatores relacionados ao estilo de vida, à genética e a predisposições biológicas.
O mais comum é a resistência à insulina relacionada ao acúmulo de gordura, que dificulta a ação do hormônio, ao sedentarismo, à falta de atividades físicas para queimar a glicose, a erros alimentares e a dietas desbalanceadas, ricas em açúcares, que sobrecarregam o pâncreas.
Outras causas, que estão fora do nosso controle, também podem contribuir para a incidência da diabetes, apesar de serem menos frequentes. A falta ou a subutilização de insulina pode ocorrer por condições autoimunes, doenças pancreáticas, envelhecimento, estresse e, para as mulheres, gravidez.
Os tipos de diabetes
Como essa enfermidade tem diferentes origens, a medicina categoriza a diabetes em diferentes tipos. Esse protocolo é feito como forma de especializar o tratamento da doença para cada caso, apesar de, na maioria das vezes, a doença ser a mesma.
Os principais tipos são:
- Tipo 1: condição autoimune em que o sistema imunológico ataca as células do pâncreas, interrompendo a produção de insulina. Geralmente é diagnosticada na infância ou na adolescência;
- Tipo 2: a forma mais comum, cerca de 90% dos casos, relacionada à resistência à insulina e a fatores de estilo de vida;
- Gestacional: aumento dos níveis de glicose durante a gravidez, decorrente do bloqueio da insulina por hormônios da placenta. Costuma desaparecer após o parto.
Pequenos aparelhos domésticos ajudam a registrar variações da glicemia ao longo do tratamento (Foto: Pexels)Quais são os sintomas comuns da diabetes?
A atuação da diabetes no corpo humano pode acontecer de formas diferentes, por ser uma condição que afeta toda a corrente sanguínea. Entretanto, é possível delimitar algumas condições que são reconhecidas como sintomas clássicos dessa doença.
Entre elas estão:
- Poliúria, ou urina em excesso: vontade frequente de urinar, inclusive acordando várias vezes à noite, pois os rins trabalham em dobro para filtrar e eliminar o açúcar extra;
- Polidipsia, ou sede extrema: sede constante e boca seca decorrentes da desidratação causada pelo excesso de urina;
- Polifagia, ou fome excessiva: fome constante, pois as células não recebem a glicose necessária para gerar energia e enviam sinais de alerta ao cérebro;
- Perda de peso inexplicável: o corpo começa a queimar gordura e músculos para gerar energia, provocando emagrecimento rápido mesmo comendo muito, algo muito comum no tipo 1;
- Fadiga extrema: cansaço crônico, fraqueza muscular e falta de energia;
- Cicatrização lenta: feridas, cortes ou arranhões que demoram muito tempo para fechar e cicatrizar;
- Infecções frequentes: casos repetitivos de candidíase, com coceira e corrimento vaginal ou peniano, ou infecções urinárias.
Apesar de, à primeira vista, alguns desses sintomas não parecerem tão perigosos, a negligência no tratamento pode ocasionar danos severos em vasos sanguíneos e órgãos, acarretando doenças cardiovasculares, cegueira, perda de sensibilidade e amputação de membros.
Existe cura para a diabetes?
Apesar de ser uma doença crônica, a medicina conta com avanços suficientes para tratar a diabetes a ponto de o organismo funcionar normalmente. Mesmo assim, o termo “cura” não é o mais adequado para descrever esses casos.
“A gente não fala em cura [para a diabetes], falamos em remissão a partir do tratamento. Conseguimos trazer os exames laboratoriais que nos levam a diagnósticos de valores normais, mas não indicamos dizer que a pessoa está curada pelo envolvimento de fatores que não controlamos, como a genética”, explica a doutora.
A remissão é um conceito aplicado apenas aos casos de diabetes tipo 2. Para o tipo 1, ainda não há uma forma de “curar” a doença, sendo ela tratada apenas por meio de protocolos médicos.
Pela multiplicidade dos sintomas, o tratamento da diabetes costuma ser personalizado e varia conforme a origem e o principal agravante da doença.
Ainda assim, é possível traçar pontos comuns a diversos protocolos mitigadores desse quadro de saúde, como a redução do consumo de carboidratos, atividade física regular e cuidado com os pés.






