O consumo de peixe é associado a diversos benefícios à saúde, mas também exige atenção, pois algumas espécies podem conter níveis elevados de mercúrio.
Liberado por atividades como mineração e queima de carvão e petróleo, além de fenômenos naturais como o vulcanismo, o mercúrio alcança rios e oceanos.
Na água, microrganismos transformam o mercúrio em metilmercúrio, uma versão ainda mais tóxica e capaz de se espalhar com facilidade pela vida marinha.
Ele é absorvido por organismos microscópicos, que servem de alimento para peixes pequenos. Esses, por sua vez, são consumidos por espécies maiores, em que a concentração do metal aumenta progressivamente.
Esse processo é conhecido como bioacumulação, quando a substância se concentra ao longo da cadeia alimentar e atinge níveis mais altos nos grandes predadores. Quando o peixe entra na dieta humana, o mercúrio também chega ao organismo.
Por que isso é preocupante
O metilmercúrio afeta principalmente o sistema nervoso humano. Em adultos, a exposição excessiva pode provocar tremores, falhas de memória e dificuldades cognitivas.
Os efeitos variam conforme a quantidade ingerida e a frequência de consumo. A exposição contínua pode causar danos cumulativos ao longo do tempo.
Gestantes, bebês e crianças são os grupos mais sensíveis. Neles, o metal pode prejudicar o desenvolvimento do cérebro ainda na fase fetal e nos primeiros anos de vida.
O sistema nervoso está em formação nesse período, o que aumenta o risco de impactos permanentes.
Espécies que exigem atenção
De acordo com a Agência Espanhola de Segurança Alimentar e Nutricional, quatro espécies não são recomendadas para grávidas, crianças e lactantes.
A lista inclui peixe-espada, atum rabilho, tubarão (incluindo o cação) e o lúcio (peixe de água doce comum no Hemisfério Norte).
Para quem não faz parte desses grupos, a orientação também é moderar o consumo, já que a exposição ao mercúrio pode se acumular ao longo dos anos.
Segundo a agência, que já avaliou diferentes peixes e frutos do mar (frescos e enlatados), as concentrações mais altas estão justamente em espécies grandes e predadoras.
Por que esses peixes acumulam mais mercúrio
Essas espécies geralmente vivem mais tempo do que os peixes menores. Ao longo dos anos, absorvem mercúrio da água, das presas e de detritos.
O organismo não consegue eliminar o metal com rapidez, o que resulta em acúmulo contínuo no tecido muscular, caracterizando a bioacumulação.
Além disso, a quantidade de mercúrio ingerida por um peixe grande costuma ser maior do que a capacidade de excreção, elevando os níveis de contaminação.
Escolhas mais seguras no dia a dia
Para aproveitar os benefícios nutricionais do peixe com menos risco, a orientação é priorizar espécies menores, como sardinha, pescada, bacalhau, salmão e truta.
Esses alimentos são conhecidos por favorecerem o aumento do colesterol bom (HDL) e reduzirem o ruim (LDL), além de fornecerem proteínas e vitaminas importantes.
Entre os frutos do mar, camarão, lula, polvo, mexilhão, caranguejo, ostra e lagosta apresentam níveis mais baixos de contaminação.
Variar as escolhas ao longo da semana ajuda a reduzir a exposição ao mercúrio sem abrir mão do ômega 3 e de outros nutrientes importantes para a saúde.




