Hantavírus tem ‘letalidade elevada’, alerta especialista

Infectologista aponta que dores musculares e febre alta marcam o estágio inicial da doença; Brasil diz que não há registro da cepa Andes por aqui

Segundo os pesquisadores, a baixa imunidade da população pode favorecer epidemias ou até pandemias

A nova cepa do vírus tem um sintoma específico e pode ser mais contagiosa, apontam especialistas | Freepik

A infecção por hantavírus, apesar de rara em humanos, tem letalidade elevada, é o que explica o infectologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Igor Marinho, à Gazeta.

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Os casos da doença ganharam repercussão mundial com o surto ocorrido no navio de cruzeiro MV Hondius, que viajava da Argentina para Cabo Verde.

No Brasil, há ocorrências registradas no Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais confirmou, neste domingo (10/5), uma morte causada pelo hantavírus. A vítima, um homem de 46 anos, era morador do município de Carmo do Parnaíba (MG).

Transmissão e letalidade do hantavírus

O vírus é comumente transmitido principalmente de roedores silvestres para humanos, depois da inalação de fezes, urina ou saliva de animais infectados.

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Apenas uma variante, a cepa Andes, demonstra capacidade significativa de ser passada entre humanos, mas de forma rara a contatos muito próximos e prolongados, conforme explicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Embora a OMS classifique o potencial pandêmico da doença como “baixo”, o hantavírus é considerado grave depois da infecção, especialmente pela alta letalidade.

“A letalidade é considerada elevada. No Brasil, a taxa média gira em torno de 35% a 40%, podendo variar conforme a rapidez do diagnóstico e do suporte hospitalar oferecido. Casos graves podem evoluir rapidamente com insuficiência respiratória e choque circulatório”, afirma Igor Marinho.

O infectologista ainda explicou que pessoas infectadas podem precisar de internação e até mesmo tratamento intensivo.

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“Muitos pacientes necessitam de internação hospitalar, especialmente aqueles que desenvolvem comprometimento pulmonar. Em quadros moderados a graves, pode haver necessidade de UTI, suporte com oxigênio e até ventilação mecânica”.

Entenda os sintomas

A identificação da doença é considerada difícil nos estágios iniciais, já que os sintomas se assemelham ao de uma gripe forte.

Pessoas acometidas pelo vírus podem sofrer com febre alta, calafrios, dores musculares intensas, dor de cabeça e tontura, sintomas gastrointestinais (dor abdominal, náuseas e vômitos) e cansaço extremo.

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Entretanto, os sintomas podem se intensificar em poucos dias e chegar à fase cardiopulmonar. Esta etapa é a mais grave e causa danos significativos à saúde do paciente.

“O quadro pode evoluir com piora dos sintomas e o paciente pode passar a ter falta de ar, tosse, sangramentos, dor torácica, queda da pressão arterial e confusão mental”, pontua Igor Marinho.

Em casos mais graves, algumas pessoas podem enfrentar febre hemorrágica com síndrome renal. O sintoma, no entanto, é mais comum em países na Europa e Ásia.

Como detectar a doença ainda nos estágios iniciais?

A identificação rápida é considerada essencial por órgãos de saúde no combate à doença. O cuidado deve ser redobrado caso a pessoa comece a sentir sintomas parecidos após o contato com áreas nas quais o vírus circula.

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“O principal ponto é associar os sintomas ao histórico de exposição de risco. Pessoas que estiveram em áreas rurais, galpões fechados, celeiros, terrenos com infestação de ratos ou locais com poeira contaminada devem procurar atendimento médico rapidamente se desenvolverem febre e sintomas gripais”, afirma Igor Marinho.

O infectologista pontua que o diagnóstico final é feito depois de uma avaliação clínica, exames laboratoriais e testes específicos para hantavírus.

O vírus pode causar efeitos colaterais?

Durante a pandemia de Covid-19, algumas pessoas que entraram em contato com o vírus relataram efeitos colaterais de curto a longo prazo.

Entre os principais listados estão: perda de paladar e olfato, queda na resistência, problemas de memória e falta de ar.

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Mesmo que efeitos parecidos do hantavírus ainda não tenham sido registrados, Igor Marinho alerta para os danos causados à saúde depois de um longo período de contágio.

“Pacientes que tiveram formas graves podem apresentar fadiga, redução da capacidade pulmonar e fraqueza por semanas ou meses, especialmente após internações prolongadas em UTI”.

Como evitar a contaminação?

O infectologista reforça que a prevenção é fundamental e envolve principalmente evitar contato com secreções de roedores.

Portanto, o profissional de saúde explica a necessidade de manter ambientes limpos e ventilados, além de evitar acúmulo de lixo e armazenar alimentos adequadamente.

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Outra forma de evitar contato com o vírus é controlar infestação de roedores, não varrer locais fechados com sinais de roedores e ventilar o ambiente por 30 minutos antes de realizar a limpeza em áreas ocupadas por ratos.

Essa precaução evita o contato com partículas do vírus, o que reduz o risco de infecção.

Tratamento

Ainda não há um tratamento específico para a doença. Os cuidados podem variar de acordo com a gravidade do quadro apresentado pelo paciente.

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Igor Marinho alega que a hidratação cautela e o reconhecimento precoce da doença auxiliam no combate contra a doença e aumentam as chances de recuperação.

O encaminhamento hospitalar também deve ser feito com precaução e com um profissional.

Nova pandemia? 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçou que o risco do surto recente de hantavírus se transformar em uma nova pandemia global é “absolutamente baixo”. A declaração aconteceu na última sexta-feira (8/5), em Genebra, na Suíça.

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O governo federal também informou que a disseminação em solo nacional é considerada baixa. O Ministério da Saúde ainda destacou que não há registro da circulação da cepa Andes no Brasil.

Surto na embarcação M.V. Hondius

Até o momento, foram identificados oito casos ligados à embarcação, resultando em três mortes confirmadas. O surto chamou a atenção por ocorrer em um ambiente de cruzeiro, algo considerado extremamente raro por especialistas.

Os passageiros apresentaram sintomas iniciais de febre e problemas gastrointestinais, mas alguns evoluíram rapidamente para pneumonia grave e colapso cardiovascular.

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Devido ao risco, o navio teve o desembarque negado em Cabo Verde e os passageiros foram mantidos em isolamento nas cabines enquanto a cadeia de transmissão é investigada.