As soluções atuais para inflamação gengival costumam agir de forma ampla e pouco seletiva.
Ao eliminar bactérias nocivas, acabam removendo também microrganismos importantes para a saúde da boca.
Recentemente, porém, pesquisadores alemães propuseram uma alternativa mais precisa, voltada ao controle do problema sem desequilibrar a flora oral.
Um problema comum e subestimado
A periodontite é uma inflamação crônica na gengiva e nas estruturas de suporte dos dentes que afeta grande parte da população adulta ao longo da vida.
Em estágios avançados, provoca retração gengival, perda de dentes e alterações no osso da mandíbula.
Além dos efeitos na boca, a Associação Nacional de Dentistas do Sistema Público de Saúde da Alemanha (KZBV) aponta possíveis associações entre periodontite e doenças sistêmicas, como problemas cardiovasculares, diabetes e Alzheimer, conforme informações publicadas em seu site.
Como a inflamação se desenvolve
Assim como a gengivite, o desenvolvimento da periodontite está ligado ao crescimento excessivo de bactérias específicas do microbioma oral.
A Porphyromonas gingivalis, por exemplo, é uma das mais prejudiciais, pois se fixa na linha da gengiva e estimula processos inflamatórios contínuos.
À medida que a doença avança, essas bactérias conseguem penetrar nos tecidos gengivais. Por isso, o controle precoce do crescimento bacteriano é mais eficaz do que tentativas tardias de eliminação total.
A grande solução
Pastas e enxaguantes bucais tradicionais usam álcool ou clorexidina para controlar a inflamação, mas acabam eliminando também bactérias benéficas.
Isso desorganiza a flora oral e favorece a proliferação de microrganismos agressivos, aumentando o risco de a inflamação voltar.
Para contornar esse problema, pesquisadores do Instituto Fraunhofer de Terapia Celular e Imunologia (IZI) desenvolveram uma alternativa mais específica.
“Ela não mata simplesmente os patógenos da gengivite, mas apenas bloqueia seu crescimento”, afirma Stephan Schilling, do Fraunhofer IZI, em comunicado à imprensa.
Dessa forma, bactérias saudáveis continuam ativas e ajudam a estabilizar o ambiente bucal.
A pasta já é vendida no Brasil?
Por enquanto, a pasta de dente alemã com tecnologia PerioTrap não é vendida oficialmente no Brasil em farmácias ou grandes marketplaces.
O produto foi lançado recentemente na Europa, com início em pontos específicos da Alemanha e venda online limitada.
No mercado brasileiro, existem produtos com nomes semelhantes, como o enxaguante bucal Periotrat sem álcool.
Apesar da semelhança no nome, esses itens não utilizam a nova tecnologia PerioTrap nem atuam na modulação do microbioma oral ou no bloqueio específico de patógenos da periodontite.



