Cientistas detectam pela primeira vez a microalga Gambierdiscus australes em águas peninsulares do Mediterrâneo, nas costas de Dénia e Xàbia, em Alicante. A espécie produz ciguatoxinas, que se acumulam em peixes e causam ciguatera.
Resultados mostram a presença da microalga em 75% das amostras de março e 100% das de setembro de 2023. Concentrações baixas tranquilizam consumidores, mas reforçam a necessidade de monitoramento contínuo.
Essa expansão geográfica relaciona-se ao aquecimento das águas marinhas. Medidas preventivas garantem que peixes no mercado permaneçam seguros para consumo humano.
Como a descoberta ocorreu
Equipes do Instituto Multidisciplinar de Estudos Ambientais Ramón Margalef, da Universidade de Alicante, e da Universidade de Las Palmas de Gran Canaria, coletaram amostras em 12 estações costeiras.
Assim, identificaram Gambierdiscus australes, dinoflagelado marinho produtor de toxinas. Abundâncias variaram de 20 a 140 células por litro.
Campanhas em março e setembro de 2023 confirmaram a presença inédita. Anteriormente, o gênero só aparecia nas Ilhas Baleares desde 2017. Portanto, essa detecção pioneira alerta para mudanças ambientais no Mediterrâneo.
Riscos da ciguatera explicados
As ciguatoxinas acumulam-se em tecidos de peixes, causando intoxicação alimentar conhecida como ciguatera. Ferver, fritar ou congelar não eliminam essas toxinas potentes. No entanto, análises prévias evitam a comercialização de peixes contaminados.
O pesquisador César Bordehore afirma que “os consumidores podem ficar tranquilos”, pois as concentrações detectadas “não são alarmantes”. Além disso, “sabemos como prevenir possíveis intoxicações alimentares”.
Aquecimento marinho eavorece Expansão
O aumento da temperatura do mar facilita a chegada de espécies tropicais como Gambierdiscus. Um grau a mais na água altera habitats, permitindo colonização de novas áreas. Por isso, o monitoramento contínuo torna-se essencial para antecipar riscos.
Desde 2010, análises cobrem 40 km do litoral de Alicante. Amostras antigas comprovam ausência do gênero há 15 anos. Consequentemente, dados de longo prazo orientam ações das autoridades competentes.


