A fila do transplante pode estar com os dias contados graças a uma técnica que parecia ficção científica: o xenotransplante.
O nome é dado ao transplante de órgãos, tecidos ou células entre espécies diferentes. Na prática, envolve o uso de órgãos de animais em humanos.
Segundo um estudo publicado na revista Nature, a técnica é vista como alternativa para reduzir a escassez global de órgãos para transplante, já que a demanda segue muito acima do número de doadores disponíveis.
Como o xenotransplante surgiu
As primeiras tentativas começaram no século 20, com transplantes experimentais de órgãos de primatas. Os resultados eram limitados e marcados por rejeição imediata.
Com o tempo, esses experimentos ajudaram a entender melhor a resposta imunológica humana, o que abriu caminho para pesquisas mais avançadas nas décadas seguintes.,
Desenvolvimento do procedimento
Atualmente já é possível ‘editar’ DNA do doador animal para que o corpo humano não o ataque instantaneamente (Foto: Freepik)Diferente das tentativas frustradas do século passado, a engenharia genética agora permite “editar” o DNA do doador animal para que o corpo humano não o ataque instantaneamente.
Hoje, a maioria dos xenotransplantes utiliza órgãos e tecidos de porcos, por apresentarem maior compatibilidade com o corpo humano.
Outro estudo publicado na Nature Medicine mostrou que órgãos de porcos geneticamente modificados já podem funcionar temporariamente em humanos sem rejeição imediata. Esse passo mudou o ritmo das pesquisas.
Qual é a eficácia do xenotransplante
Ele viveu com o órgão por cerca de dois meses antes de falecer por causas não relacionadas ao transplante.,
Mais recentemente, em 2025, uma terceira pesquisa disponível na Nature Medicine revelou que um coração transplantado funcionou bem nas primeiras semanas, mas perdeu função após cerca de um mês.
Já rins chegaram a funcionar por meses, como aconteceu no quarto procedimento desse tipo realizado em uma pessoa.
Os resultados desses transplantes ainda são irregulares, mas mostram que cirurgias desse tipo deixaram de ser apenas experimentais.
Consequências negativas do procedimento
O principal obstáculo ainda é a rejeição do órgão. Conforme uma reportagem do ScienceDaily, respostas imunológicas mais lentas podem surgir semanas após o transplante e, de forma progressiva, comprometer o funcionamento do enxerto ao longo do tempo.
Mesmo com as modificações genéticas feitas para reduzir esse risco, o sistema imunológico do paciente continua reconhecendo o órgão como estranho. Isso pode levar a inflamações persistentes e perda gradual da função.
Além disso, há preocupação com a transmissão de infecções entre espécies, já que vírus presentes nos animais podem não ser totalmente conhecidos. Os efeitos de longo prazo ainda são incertos, o que mantém a necessidade de acompanhamento rigoroso em todos os casos.


