Pouca gente imagina que, longe das praias mais famosas do litoral paulista, existe um trecho quase intocado que guarda natureza bruta, acesso difícil e um capítulo curioso da história brasileira.
A Praia Saco do Major, no Guarujá, segue preservada como uma espécie de cápsula do tempo, mantendo o mesmo cenário que encantou visitantes há mais de meio século.
É nesse pedaço escondido do litoral que se cruzam trilhas, mar agitado, Mata Atlântica fechada e um romance que marcou a vida de Silvio Santos. Um encontro simples, em meio às pedras e ao sol forte, transformou a praia em um lugar carregado de memória afetiva.
O encontro que entrou para a história
Foi na Praia Saco do Major, em 1967, que Silvio Santos conheceu Íris Abravanel, em um episódio que mais tarde seria relembrado como o início de uma das histórias mais conhecidas da televisão brasileira.
Segundo relatos da própria Íris, ela estava na praia comendo mariscos quando Silvio chegou de barco. Naquela época, o local não tinha árvores nem guarda-sóis.
Muito branco e sensível ao sol, ele acabou se abrigando à sombra de uma grande pedra, uma imagem que ficou marcada na memória do casal.
Apesar do encontro nos anos 60, o romance só ganharia forma mais tarde. Ambos tinham outros compromissos na época. Silvio era casado com Maria Aparecida, que faleceu em 1977, e Íris era noiva — ele, inclusive, chegou a ser padrinho do primeiro casamento dela.
A união oficial aconteceu apenas em 1981, mas o cenário do primeiro encontro permanece o mesmo.
Um refúgio quase secreto no Guarujá
Localizada no extremo oeste do Guarujá, a Praia Saco do Major está longe do circuito urbano e turístico da cidade. Com cerca de 400 metros de extensão, ela se destaca pela areia grossa, águas claras e ondas fortes, além de ser totalmente cercada por morros cobertos pela Mata Atlântica.
O isolamento não é acaso. Segundo a Secretaria de Turismo do Guarujá, o nome da praia vem tanto da sua formação geográfica, em formato de saco, quanto do fato de ter sido habitada por muitos anos por um major aposentado.
Essa combinação de relevo, vegetação fechada e acesso restrito ajudou a manter o local praticamente intocado, diferente de outras praias do litoral paulista que passaram por intensa urbanização.
O que fazer e para quem a praia é indicada
A Praia Saco do Major não é uma praia para todos os públicos. Justamente por preservar as características da década de 1960, ela exige preparo e disposição de quem decide conhecê-la.
O local é bastante procurado por quem busca contato direto com a natureza e atividades ao ar livre, como:
- Trilhas em meio à Mata Atlântica
- Surf em mar aberto e mais agitado
- Pesca artesanal
- Ecoturismo e observação da paisagem
Por outro lado, é importante saber que não há quiosques, bares, restaurantes ou qualquer tipo de infraestrutura turística. O mar costuma ser forte, e o acesso é cansativo, o que faz com que a praia não seja indicada para crianças pequenas, idosos ou pessoas com mobilidade reduzida.
Como chegar à Praia Saco do Major
Chegar até a Praia Saco do Major faz parte da experiência. O acesso limitado é um dos fatores que ajudam a preservar o ambiente natural.
Há basicamente três formas de chegar:
- Por trilha: saindo da Praia do Guaiúba ou do bairro Santa Cruz dos Navegantes, por caminhos íngremes e exigentes
- Barco + trilha: indo de barco até a Praia do Góes e, a partir dali, seguindo por uma trilha de nível médio, com subidas e degraus
- Somente por mar: para quem possui embarcação própria ou contrata transporte marítimo
Independentemente da rota escolhida, a recomendação é ir com calçado adequado, água, proteção solar e atenção às condições do mar.
Uma cápsula do tempo no litoral paulista
A Praia Saco do Major funciona como uma moldura natural preservada. Assim como uma fotografia antiga que não desbota, ela mantém sua essência selvagem, suas pedras, o silêncio quebrado apenas pelo som das ondas e as histórias que ali começaram.
É esse conjunto — natureza intacta, dificuldade de acesso e memória afetiva — que transforma o local em um dos refúgios mais autênticos do Guarujá.
Um lugar onde o tempo parece passar mais devagar e onde, décadas depois, ainda é possível caminhar sob a mesma paisagem que um dia serviu de cenário para o início da história do maior comunicador do Brasil.





