Morar em uma vila italiana cercada por montanhas parece cena de filme, mas, em alguns lugares, virou também uma estratégia de sobrevivência. Pequenos povoados da Itália passaram a oferecer dinheiro para novos moradores, aluguel simbólico e apoio para abrir negócios.
A ideia não nasceu apenas do encanto das ruas de pedra, mas de um problema que cresce em silêncio: a falta de gente. Em Santo Stefano di Sessanio, vila medieval em Abruzzo, o pacote pode chegar a 44 mil euros.
Por trás da proposta, existe uma tentativa de manter casas ocupadas, comércios abertos e uma comunidade viva nas montanhas.
O que está por trás da oferta?
Esses programas aparecem em regiões onde a população encolheu com o passar do tempo. Muitos jovens deixaram as aldeias em busca de estudo, emprego e serviços maiores nas cidades.
Com isso, sobraram vilas bonitas, mas cada vez mais vazias. Escolas perdem alunos, negócios fecham as portas e casas antigas passam anos sem moradores.
Por isso, algumas prefeituras começaram a tratar a chegada de novos residentes como investimento. Não basta atrair turistas por alguns dias. A meta é trazer pessoas dispostas a viver, trabalhar e criar raízes no local.
Como funciona o incentivo?
No caso de Santo Stefano di Sessanio, a proposta reúne aluguel simbólico, auxílio anual e subsídio para quem abrir uma atividade econômica na vila.
O valor total pode chegar a 44 mil euros, considerando a ajuda de até 8 mil euros por ano durante três anos e um apoio de até 20 mil euros para iniciar um negócio.
Entretanto, a oferta não funciona como uma viagem paga sem compromisso. O interessado precisa atender regras, mudar de fato para o vilarejo e permanecer no local por um período mínimo.
A cena parece turística, mas a proposta dessas aldeias vai além da foto bonita: elas procuram moradores que ajudem a manter comércio, serviços e vínculos locais (Foto: Wikimedia Commons/Raboe001)Por que a Itália precisa disso?
A Itália tem várias comunidades pequenas marcadas pelo envelhecimento da população. Em muitos desses lugares, há mais moradores idosos do que crianças e jovens adultos.
Na prática, isso ameaça a rotina inteira da aldeia. Uma padaria deixa de vender, uma escola fecha turma, uma casa fica vazia e, aos poucos, a vila perde movimento.
Além disso, o turismo não resolve tudo. Visitantes ajudam a economia, mas não substituem moradores fixos. Uma cidade precisa de gente vivendo ali durante o ano inteiro.






