Uma vila abandonada no interior da Espanha ganhou nova chance. Comprada por investidores norte-americanos, Salto de Castro deve virar destino de turismo rural e reacende o debate sobre a chamada Espanha despovoada.
Localizada em Zamora, perto da fronteira com Portugal, a antiga aldeia será revitalizada em etapas. O plano aposta na preservação arquitetônica e na força da paisagem natural para atrair visitantes.
O projeto ainda está no começo, mas já chama atenção pelo potencial econômico e simbólico. Em um país marcado pelo êxodo rural, a iniciativa surge como sinal de retorno e reinvenção.
Uma vila esquecida que volta a despertar interesse
Salto de Castro fica na região de Arribes del Duero, no noroeste da Espanha, área conhecida por cânions, rios e mirantes naturais. Apesar disso, o local passou décadas fechado, sem moradores e fora das rotas turísticas tradicionais.
O despovoamento rural afeta milhares de municípios espanhóis, especialmente no interior. A discussão também aparece em medidas como as cidades da Espanha que pagam para atrair moradores, tentando reverter o esvaziamento.
É nesse cenário que a vila volta a ser notícia. A compra reacende expectativas e levanta uma pergunta central, até que ponto iniciativas privadas podem devolver vida a territórios esquecidos.
Quem são os novos donos e o que está em jogo
O novo proprietário é Jason Lee Beckwith, empresário norte-americano que adquiriu a vila com um sócio. O valor da compra foi estimado entre 300 mil e 350 mil euros, segundo autoridades locais da província de Zamora.
A vila inclui 44 casas, além de escola, bar, igreja, quartel da Guarda Civil e uma antiga pousada. A estrutura deve ser integrada a um complexo de turismo rural, com foco em sustentabilidade e experiências ligadas à natureza.
Segundo o prefeito de Fonfría, Sergio López, a proposta é respeitar o estilo arquitetônico original. A ideia é evitar descaracterizações e manter a identidade visual que marcou a história do lugar.
Um plano em etapas para atrair turistas
O projeto será desenvolvido em duas fases. Na primeira, os investidores pretendem recuperar a área da igreja e os espaços voltados à hospedagem, preparando o terreno para receber os primeiros visitantes.
Na etapa seguinte, a atenção se volta às casas da vila, que passarão por restauração gradual. A antiga pousada deve ganhar 14 quartos, além de áreas comuns, lavanderia e espaços de convivência.
A proposta de transformar ruínas em hospedagem já apareceu em outros projetos, como o renascimento de um ícone nos Pirineus, também na Espanha, com foco em turismo e preservação.
Inserida no Parque Natural Arribes del Duero, Salto de Castro mira um público interessado em tranquilidade, turismo de experiência e contato direto com a paisagem rural, longe dos grandes centros urbanos.
Do auge industrial ao abandono total
A vila foi construída na década de 1950 pela Iberdrola para abrigar trabalhadores de um reservatório próximo. Na época, chegou a ser um núcleo ativo, com famílias, serviços e rotina comunitária intensa.
Com o fim das obras, os moradores deixaram o local. No final dos anos 1980, Salto de Castro já estava completamente vazia, iniciando um longo período de abandono e deterioração das construções.
Agora, décadas depois, o vilarejo volta ao radar. Se o plano sair do papel, o antigo enclave pode virar símbolo de uma nova fase para regiões que pareciam condenadas ao esquecimento.






