Ōamaru, cidade no interior da Nova Zelândia, é conhecida como a “Capital do Steampunk” mundial. É um dos destinos mais excêntricos da Oceania. A cidade já deteve o recorde mundial no Guinness Book pela maior reunião de steampunks, em 2016.
O município é marcado pelo seu retrofuturismo vitoriano, ou seja, por uma cidade moderna que mescla traços futuristas e antigos da era vitoriana. Esse espírito steampunk se mostra tanto em prédios históricos quanto na moda.
Como a cidade se tornou assim?
Ōamaru tem uma história muito semelhante à de uma cidade do interior paulista, Paranapiacaba. Ambas viveram um auge econômico muito grande, mas, após uma crise, acabaram falindo e tiveram de se reinventar.
O caminho para a recuperação, em ambos os casos, foi o retorno à tradição. Na cidade neozelandesa, a retomada foi movida pelo Whitestone Civic Trust, que decidiu restaurar alguns prédios históricos do auge vitoriano da cidade como marca de sua identidade.
Assim como as luzes neon em Chongqing, o retrofuturismo foi adotado como marca registrada de Ōamaru. Mesmo fora de temporada, é possível encontrar pessoas nas ruas vestidas com trajes clássicos ou dirigindo carros antigos.
Principais pontos de destaque
Para quem procura o steampunk em sua essência, o cartão-postal da cidade é o Steampunk HQ. Construído em um antigo armazém abandonado, o HQ é um museu interativo que conta com luz, máquinas e muito futurismo.
Para quem quiser mergulhar na parte vitoriana e histórica da cidade, saindo do punk, há o centro histórico da cidade e o museu Whitestone City (Foto: Grutness / Wikimedia Commons)Ainda deseja mais steampunk? O Ōamaru Steam and Rail é um museu vivo de ferro e fumaça, com a memória ferroviária da cidade. Para os apreciadores de arte, há a Forrester Gallery e a Ōamaru Opera House.
Já para quem prefere passeios mais tranquilos, há todo o centro histórico do Heritage Precinct, repleto de ateliês, boutiques e praças.
Outro destaque é a Colônia de Pinguins Azuis de Ōamaru, localizada em uma antiga pedreira da cidade (Foto: Richard Giddins / Wikimedia Commons)Se você deseja visitar a cidade, a melhor época do ano é enquanto estão ocorrendo seus famosos festivais: Steampunk NZ Festival, Ōamaru Victorian Heritage Celebrations e Harbour Street Jazz & Blues Festival. Porém, se você não conseguir sair do Brasil, uma cidade do interior tem seu próprio festival steampunk na agenda, a apenas 1h30 da capital paulista.
O que é o steampunk?
O steampunk é um subgênero retrofuturista da ficção científica, em que elementos do passado são retomados para criar um cenário futurista nostálgico.
Algumas obras famosas retrofuturistas são a série Fallout e o filme Quarteto Fantástico, de 2025 (Foto: Divulgação / IMDb)A tecnologia arcaica se torna ultrafuturista, como se o mundo tivesse evoluído de maneira diferente. O steampunk é uma vertente retrofuturista que busca reviver a era vitoriana e o auge da era industrial do vapor.
Um dos principais nomes do steampunk moderno é o jogo francês Clair Obscur: Expedition 33, vencedor do prêmio de Melhor Jogo do Ano em 2026 (Foto: Reprodução / YouTube)Segundo estudo do pesquisador Constantine Sedikides e outros autores, publicado em 2016, a nostalgia fortalece a sensação de continuidade do eu e amplia o sentimento de conexão social, o que ajuda a explicar o apelo atual do retrofuturismo.
Ao combinar imagens do passado com projeções de futuro, essa estética transforma a novidade em algo familiar e menos ameaçador, oferecendo conforto simbólico em uma época marcada por mudanças rápidas, avanços tecnológicos e incertezas.
Mais do que revisitar máquinas antigas ou visões fantasiosas de época, o retrofuturismo revela uma tentativa de imaginar o amanhã sem romper totalmente com referências afetivas que ainda dão identidade, sentido e segurança à sociedade.
Simulação da cidade steampunk de Retro Futura, uma tentativa de evocar o sentimento do futuro nostálgico, produzida por inteligência artifical.













