Conheça a “cidade fantasma” do interior de SP dizimada pela crise e pandemia

Japurá viveu o auge com a ferrovia e perdeu moradores após crise do café e problemas de saúde pública

Esqueletos da cidade ainda repousam no interior de São Paulo

Esqueletos da cidade ainda repousam no interior de São Paulo | Dmitry Makeev / Wikimedia Commons

Japurá, distrito no noroeste do estado de São Paulo, tem ruas desertas, mato tomando calçadas e casas antigas com sinais de desgaste. O local fica a cerca de 10 horas de carro da capital paulista.

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Apesar do vazio, Japurá preserva parte da história ligada ao café e à expansão ferroviária, que moldou o interior paulista e ajudou a formar vilarejos ao longo dos trilhos.

Origem nos trilhos

Em seus tempos áureos, Japurá ganhou forma quando a Estrada de Ferro Araraquarense inaugurou uma estação em 1911. A chegada do trem atraiu muitas pessoas em busca de trabalho.

Com o transporte, a produção agrícola ganhou escoamento e o comércio se movimentou. Por isso, o vilarejo se ampliou e passou a oferecer serviços para quem vivia e trabalhava na região.

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No período de maior ocupação, Japurá chegou a reunir 3 mil habitantes e contava com farmácia, escola, açougue, igreja e até uma penitenciária própria.

Início do declínio

O ano de 1930 marca o começo da queda, a crise começou após o crash da bolsa de Nova York em 1929, que reduziu o preço do café e enfraqueceu a economia local.

Logo depois, a população enfrentou uma pandemia de malária e febre-amarela, que devastou a comunidade. No pior momento, o distrito registrou 15 mortes por dia, o que ampliou o medo em uma cidade cujo auge da população era de três mil pessoas.

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Como uma fórmula para o desastre, a insegurança financeira e médica gerou uma onda de migrantes econômicos em êxodo para cidades vizinhas como Tabapuã. Assim, o distrito perdeu boa parte de sua população e entrou em um ciclo de esvaziamento difícil de reverter.

Quando a estação fechou

Outro ponto decisivo foi o fechamento da estação ferrodoviária em 1951. O texto base afirma que os trilhos foram desviados para 1,5 km de distância, o que isolou ainda mais o vilarejo. De forma muito semelhante a outra cidade ferroviária, a Vila de Paranapiacaba.

Nas décadas seguintes, a população caiu até desaparecer. A última habitante nativa foi Ana Idalina Braz, conhecida como “dona Petita”, que permaneceu no distrito e morreu em 2021.

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O que existe hoje em Japurá?

Mesmo sem moradores, Japurá recebe visitantes, principalmente pesquisadores de história e turistas curiosos. O interesse se liga às marcas da ferrovia e ao passado do ciclo do café no estado.

Existem projetos para criar um núcleo de passeio histórico e instalar um museu na casa de dona Petita. Desse modo, o distrito pode ganhar uma rota de memória organizada.