Desde o ataque do Hamas a Israel, em outubro de 2023, o Oriente Médio voltou a ser marcado por uma sequência de conflitos. Com a guerra se espalhando por diferentes frentes, a destruição passou a atingir não apenas áreas residenciais e infraestrutura urbana, mas também parte do patrimônio histórico, religioso e turístico da região.
Entre os locais afetados estão templos, sítios arqueológicos de origem romana e espaços que, mesmo sem terem sido totalmente destruídos, se tornaram inacessíveis por causa dos confrontos e das evacuações.
Em cenários assim, estruturas antigas ficam especialmente vulneráveis, seja pelo impacto direto de ataques, seja pelos danos provocados por explosões nas áreas ao redor.
Grande Mesquita Omari
A Grande Mesquita Omari, na Cidade de Gaza, teve danos severos confirmados pela UNESCO. Testemunhas oculares descrevem o local como amplamente em ruínas, com parte substancial do conjunto destruída e a biblioteca histórica coberta por escombros; não há, porém, um percentual oficial consolidado da perda estrutural.
Hoje, o edifício segue em estado ruinoso, mas já entrou numa fase inicial de recuperação. Voluntários e técnicos vêm retirando entulho, recuperando manuscritos e tentando estabilizar o que sobrou, enquanto a reconstrução ampla continua limitada pela falta de materiais e pelas condições de guerra.
Palácio do Paxá
O Palácio do Paxá, também em Gaza, foi um dos casos mais graves entre os bens históricos locais. Segundo a AFP, mais de 70% dos edifícios do complexo foram destruídos após os ataques que atingiram o antigo museu arqueológico.
Seu estado atual é de ruína parcial com obras iniciais de restauração. Trabalhadores estão atuando no local desde novembro de 2025, mas o palácio segue longe de uma recuperação plena, com acervo desaparecido e estrutura ainda muito comprometida.
Fachada do palácio, também conhecido como Qasr al-Basha, antes dos ataques aéreos (Foto: User:Freedom’s Falcon / WIkimedia Commons)Sítio de Al-Bass, em Tiro
No sítio de Al-Bass, em Tiro, o dano confirmado foi mais pontual. O Ministério da Cultura libanês informou dano material na entrada do sítio após ataque em março de 2026, e uma avaliação relatou que a explosão arrebentou janelas do museu em construção.
O estado atual é de conservação parcial, com os elementos mais famosos ainda preservados. A explosão não alcançou a necrópole, o arco triunfal romano, o aqueduto e o hipódromo, embora o local siga vulnerável e monitorado por medidas emergenciais de proteção.
Palácio Golestan
O Palácio Golestan, em Teerã, foi atingido indiretamente pela onda de choque e por destroços após um bombardeio em sua zona de amortecimento. A UNESCO registrou danos no local, com imagens mostrando vidro estilhaçado, madeira quebrada e áreas internas cobertas por destroços.
Até onde foi divulgado, não havia confirmação de dano estrutural maior ao palácio. O quadro atual é de edifício preservado, porém avariado: portas, janelas e painéis decorativos de vidro foram bastante afetados, e a extensão completa dos danos continuava sob monitoramento.
Igreja de São Porfírio
A Igreja de São Porfírio sofreu dano menor que Omari e Pasha, mas ainda relevante. Em 2023 uma parte do complexo foi danificada por um ataque aéreo, e relatos posteriores citados pela AFP apontam que a UNESCO classificou o conjunto como moderadamente danificado.
O estado atual é de conservação parcial, com uso religioso preservado. Neste ano, houve celebrações de Sexta-Feira Santa e da Páscoa ortodoxa , sinal de que o local continua de pé e funcional, embora marcado pelos danos e pela guerra ao redor.
Registro do interior da Igreja de Santo Porfírio (Foto: Rawanmurad2025 / Wikimedia Commons)Ruínas de Baalbek
Em Baalbek, o dano mais claro e documentado ocorreu no entorno imediato do sítio romano. Uma construção otomana histórica ao lado das ruínas foi destruída por ataque israelense em novembro de 2024, o episódio mais próximo de um impacto direto sobre o conjunto arqueológico.
Já os templos romanos em si não tiveram dano direto confirmado nas inspeções preliminares divulgadas. O estado atual, portanto, é de preservação sob ameaça: o sítio principal segue de pé, mas continua em zona de risco e sob proteção reforçada da UNESCO.






