Patrimônio em ruínas: 6 lugares históricos atingidos pela guerra no Oriente Médio

Conflitos recentes deixaram monumentos religiosos e sítios milenares sob escombros, ameaça constante ou fora do alcance do turismo

Ataques aéreas são alguns dos principais responsáveis por danos às estruturas

Ataques aéreas são alguns dos principais responsáveis por danos às estruturas | Jaber Jehad Badwan / Wikimedia Commons

Desde o ataque do Hamas a Israel, em outubro de 2023, o Oriente Médio voltou a ser marcado por uma sequência de conflitos. Com a guerra se espalhando por diferentes frentes, a destruição passou a atingir não apenas áreas residenciais e infraestrutura urbana, mas também parte do patrimônio histórico, religioso e turístico da região.

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Entre os locais afetados estão templos, sítios arqueológicos de origem romana e espaços que, mesmo sem terem sido totalmente destruídos, se tornaram inacessíveis por causa dos confrontos e das evacuações.

Em cenários assim, estruturas antigas ficam especialmente vulneráveis, seja pelo impacto direto de ataques, seja pelos danos provocados por explosões nas áreas ao redor.

Grande Mesquita Omari

A Grande Mesquita Omari, na Cidade de Gaza, teve danos severos confirmados pela UNESCO. Testemunhas oculares descrevem o local como amplamente em ruínas, com parte substancial do conjunto destruída e a biblioteca histórica coberta por escombros; não há, porém, um percentual oficial consolidado da perda estrutural.

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Hoje, o edifício segue em estado ruinoso, mas já entrou numa fase inicial de recuperação. Voluntários e técnicos vêm retirando entulho, recuperando manuscritos e tentando estabilizar o que sobrou, enquanto a reconstrução ampla continua limitada pela falta de materiais e pelas condições de guerra.

Palácio do Paxá

O Palácio do Paxá, também em Gaza, foi um dos casos mais graves entre os bens históricos locais. Segundo a AFP, mais de 70% dos edifícios do complexo foram destruídos após os ataques que atingiram o antigo museu arqueológico.

Seu estado atual é de ruína parcial com obras iniciais de restauração. Trabalhadores estão atuando no local desde novembro de 2025, mas o palácio segue longe de uma recuperação plena, com acervo desaparecido e estrutura ainda muito comprometida.

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Fachada do palácio, também conhecido como Qasr al-Basha, antes dos ataques aéreos (Foto: User:Freedom's Falcon / WIkimedia Commons)Fachada do palácio, também conhecido como Qasr al-Basha, antes dos ataques aéreos (Foto: User:Freedom’s Falcon / WIkimedia Commons)

Sítio de Al-Bass, em Tiro

No sítio de Al-Bass, em Tiro, o dano confirmado foi mais pontual. O Ministério da Cultura libanês informou dano material na entrada do sítio após ataque em março de 2026, e uma avaliação relatou que a explosão arrebentou janelas do museu em construção.

O estado atual é de conservação parcial, com os elementos mais famosos ainda preservados. A explosão não alcançou a necrópole, o arco triunfal romano, o aqueduto e o hipódromo, embora o local siga vulnerável e monitorado por medidas emergenciais de proteção.

Palácio Golestan

O Palácio Golestan, em Teerã, foi atingido indiretamente pela onda de choque e por destroços após um bombardeio em sua zona de amortecimento. A UNESCO registrou danos no local, com imagens mostrando vidro estilhaçado, madeira quebrada e áreas internas cobertas por destroços.

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Até onde foi divulgado, não havia confirmação de dano estrutural maior ao palácio. O quadro atual é de edifício preservado, porém avariado: portas, janelas e painéis decorativos de vidro foram bastante afetados, e a extensão completa dos danos continuava sob monitoramento.

Igreja de São Porfírio

A Igreja de São Porfírio sofreu dano menor que Omari e Pasha, mas ainda relevante. Em 2023 uma parte do complexo foi danificada por um ataque aéreo, e relatos posteriores citados pela AFP apontam que a UNESCO classificou o conjunto como moderadamente danificado.

O estado atual é de conservação parcial, com uso religioso preservado. Neste ano, houve celebrações de Sexta-Feira Santa e da Páscoa ortodoxa , sinal de que o local continua de pé e funcional, embora marcado pelos danos e pela guerra ao redor.

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Registro do interior da Igreja de Santo Porfírio (Foto: Rawanmurad2025 / Wikimedia Commons)Registro do interior da Igreja de Santo Porfírio (Foto: Rawanmurad2025 / Wikimedia Commons)

Ruínas de Baalbek

Em Baalbek, o dano mais claro e documentado ocorreu no entorno imediato do sítio romano. Uma construção otomana histórica ao lado das ruínas foi destruída por ataque israelense em novembro de 2024, o episódio mais próximo de um impacto direto sobre o conjunto arqueológico.

Já os templos romanos em si não tiveram dano direto confirmado nas inspeções preliminares divulgadas. O estado atual, portanto, é de preservação sob ameaça: o sítio principal segue de pé, mas continua em zona de risco e sob proteção reforçada da UNESCO.