Chegar ao topo do Monte Roraima é um desafio que exige resistência física e logística detalhada.
Com cerca de 2.810 metros de altitude, o lugar está entre os picos mais altos do País.
Situado exatamente onde Brasil, Venezuela e Guiana se encontram, esse imenso bloco de pedra guarda cenários de outro mundo, águas congelantes e seres vivos que só existem ali.
Origem da ‘Casa dos Deuses’
Para os indígenas Pemon, o Monte Roraima é um tepui, nome que significa “Casa dos Deuses”. Essa estrutura monumental começou a se formar no período Pré-Cambriano, há cerca de 2 bilhões de anos.
Ao longo de eras, a erosão isolou o arenito e o quartzito, criando paredões verticais que chegam a mil metros de altura. O topo funciona como uma ilha biológica isolada de 31 km² no meio da floresta.
Essa separação do resto do mundo permitiu que mais de 40 espécies únicas evoluíssem ali.
É o caso de um pequeno sapo preto que não consegue saltar e de plantas carnívoras que se espalharam por lá para compensar a falta de nutrientes do solo.
O que existe lá em cima
O cume é um deserto de pedras esculpidas pelo vento e cobertas por líquens antigos. Entre as formações curiosas, o visitante encontra riachos gelados que cortam toda a extensão do platô.
Vale dos Cristais: caminho forrado de quartzo branco onde é proibido recolher qualquer pedra.
Jacuzzis: poças naturais de água muito clara com fundo de cristais e algas que brilham no sol.
Marco da Tríplice Fronteira: pilar de concreto que sinaliza o encontro das três nações.
Maverick: ponto mais alto de toda a montanha, com uma visão panorâmica da Gran Sabana.
La Ventana: mirante no paredão com uma vista vertiginosa e emocionante.
El Foso: buraco profundo na rocha que acumula água onde os mais corajosos costumam mergulhar.
Esse cenário exótico foi o que inspirou Arthur Conan Doyle a escrever “O Mundo Perdido” em 1912.
Anos depois, os desenhistas da Pixar usaram essas formas reais para criar os cenários do filme Up: Altas Aventuras (2009).
Preservação do Monte Roraima
O Monte Roraima representa a “Casa de Makunaima”, o criador de várias comunidades caribenhas na região. A tradição oral diz que o “platô” nasceu do tronco de uma árvore da vida cortada.
Do lado brasileiro, o Parque Nacional protege mais de 116 mil hectares de natureza bruta. O controle da área envolve o ICMBio, a Funai e a comunidade Ingarikó.
A face venezuelana está dentro do Parque Canaima, considerado Patrimônio Mundial pela UNESCO por ser uma das melhores áreas do planeta para o estudo geológico.
Como é o clima no Monte Roraima
O tempo lá em cima é instável e pode mudar completamente em poucos minutos. A neblina e a chuva forte costumam aparecer de surpresa, derrubando a temperatura para perto de zero.
Dezembro a março: período seco, com visibilidade excelente e noites bastante frias (2°C a 20°C).
Abril a novembro: meses de transição ou chuva, com menos movimento de turistas na trilha (2°C a 18°C).
Junho a setembro: época de temporais que deixam as subidas escorregadias e os rios cheios (0°C a 15°C).
Assim como na maior montanha do Brasil, o topo exige preparo para o frio intenso, a base mantém o calor da floresta. Essa diferença térmica faz com que o explorador enfrente dois climas distintos na mesma viagem.
Como subir o Monte Roraima
O trajeto começa pela Venezuela, partindo da cidade de Santa Elena de Uairén. O deslocamento inicial usa veículos 4×4 até Paraitepuy, onde o esforço físico realmente se inicia.
A expedição percorre 90 km em uma média de uma semana de caminhada intensa. Os guias Pemon conhecem cada fenda do caminho e os pernoites ocorrem sob abrigos de pedra naturais.
A Gruta do Quati é o refúgio principal para quem dorme em solo brasileiro. A subida final é feita por uma rampa estreita e exige que nenhum rastro de lixo permaneça na montanha.
Para cruzar a fronteira, é indispensável portar o RG ou o passaporte em perfeitas condições. O certificado de vacina contra a febre amarela também é exigido pelas autoridades logo na chegada.






