O Ibirapuera de Brasília: parque que bate recordes na América Latina

Com 420 hectares, o Parque da Cidade vai muito além da arquitetura de Oscar Niemeyer e Burle Marx, veja por que

Descubra por que o Ibirapuera de Brasília é referência em lazer e natureza, atraindo visitantes de toda a América Latina

Descubra por que o Ibirapuera de Brasília é referência em lazer e natureza, atraindo visitantes de toda a América Latina | brunoleaod/Governo do DF

Brasília costuma ser lembrada pelo poder político e pela arquitetura icônica, mas existe outra faceta da capital que chama atenção pela escala e pelo planejamento urbano. O Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek é um dos melhores exemplos disso: com cerca de 420 hectares, é quase três vezes maior que o Parque Ibirapuera e está entre os maiores parques urbanos do Brasil e da América Latina.

Mais do que um espaço de lazer, o parque funciona como um verdadeiro “pulmão verde” da cidade, combinando grande escala, boa infraestrutura e uso democrático — características que o colocam como referência em debates sobre espaços públicos.

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O modernismo que desenhou o maior refúgio urbano do país

O parque traduz bem os princípios do urbanismo da capital. Sua concepção dialoga com o plano de Lúcio Costa, enquanto o paisagismo é assinado por Roberto Burle Marx, conhecido pelo uso de espécies nativas e pela integração entre natureza e cidade.

Embora não seja uma obra central de Oscar Niemeyer, o parque faz parte do conjunto modernista que define Brasília, onde arquitetura, arte e cotidiano se misturam. Elementos ligados à estética da cidade, como os trabalhos de Athos Bulcão, reforçam essa identidade visual.

Sarah Kubitschek: a homenagem à “primeira-dama da construção”

Inaugurado em 11 de outubro de 1978, durante o governo de Ernesto Geisel, o parque recebeu o nome atual em 1997, por meio de legislação de Brasília.

A homenagem é dedicada a Sarah Kubitschek, esposa de Juscelino Kubitschek, frequentemente associada a iniciativas sociais durante a construção de Brasília. O nome reforça o caráter simbólico do espaço como área pública voltada à convivência e ao bem-estar coletivo.

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Como o brasiliense ressignificou o lazer no Cerrado

Em uma cidade sem litoral, o parque acabou assumindo, ao longo do tempo, um papel afetivo parecido com o de uma praia urbana. Um dos símbolos dessa memória é a antiga Piscina de Ondas, hoje desativada. Embora já tenha sido utilizada ocasionalmente para atividades culturais, atualmente está sem uso regular.

O local recebe um fluxo intenso de visitantes durante todo o ano e é amplamente reconhecido como um dos espaços públicos mais frequentados do Distrito Federal — ainda que os números variem conforme a forma de medição.

A estrutura que mantém 420 hectares em movimento

Diferente de parques focados apenas na contemplação, o Parque da Cidade funciona como um espaço multifuncional. Entre os principais atrativos estão:

  • pista contínua de caminhada e ciclismo com cerca de 12 km
  • kartódromo
  • centro hípico
  • parque de diversões Nicolândia
  • centenas de churrasqueiras espalhadas pelo espaço

Essa estrutura cria um ambiente versátil, que atende desde famílias em momentos de lazer até pessoas que praticam atividades físicas regularmente.

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Espaço de convivência, lazer e cidadania

Em um país onde grandes áreas verdes urbanas ainda são raras e frequentemente fragmentadas, o Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek se destaca como um exemplo marcante de planejamento urbano em grande escala.

Com sua extensão impressionante, infraestrutura acessível e diversidade de usos, ele mostra como a integração harmoniosa entre natureza e cidade pode gerar impactos sociais, ambientais e culturais duradouros.

Mais do que um cartão-postal, o Parque da Cidade se consolidou como um ponto de encontro para lazer, esporte, convívio e atividades do dia a dia.

Sua capacidade de atender a diferentes públicos — de famílias em piqueniques a praticantes de esportes e artistas de rua — evidencia a importância de espaços públicos bem planejados para promover qualidade de vida, saúde mental e senso de comunidade.

De forma geral, o Parque da Cidade vai além da contemplação: é uma vitrine viva do potencial dos parques urbanos no Brasil, lugares onde planejamento, natureza e cidade se conectam para criar experiências únicas, inclusivas e duradouras.