A cerca de 204 km da capital paulista, o Parque Estadual Carlos Botelho preserva uma das maiores áreas contínuas de Mata Atlântica do Brasil.
São mais de 38 mil hectares distribuídos entre os municípios de São Miguel Arcanjo, Sete Barras e Capão Bonito.
Segundo o Guia de Áreas Protegidas do Estado de São Paulo, a unidade faz parte do Mosaico de Paranapiacaba e integra um sítio reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial Natural.
A visitação ocorre diariamente, das 9h às 16h, mediante agendamento prévio e o ingresso para brasileiros custa apenas R$ 19.
Trilhas e atividades em São Miguel Arcanjo
O Núcleo São Miguel Arcanjo concentra parte da estrutura turística do parque e funciona como principal porta de entrada para visitantes. A região abriga trilhas, centro de visitantes e áreas voltadas à observação de fauna.
Uma das atrações mais procuradas é a observação do muriqui-do-sul, considerado o maior primata das Américas.
A espécie vive nas áreas mais altas da serra e costuma aparecer durante atividades acompanhadas por monitores.
Outra caminhada bastante conhecida é a Trilha da Figueira, que leva visitantes até uma árvore centenária cercada pela floresta preservada.
Já a Trilha das Bromélias possui percurso acessível para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.
O núcleo também oferece passeios de educação ambiental, além de espaços para contemplação da Mata Atlântica e observação de aves.
Endereço da portaria: Rodovia SP-139, km 78
O lado selvagem de Sete Barras
No Núcleo Sete Barras, o cenário muda bastante. A vegetação é mais fechada, o clima costuma ser mais úmido e os roteiros têm perfil mais aventureiro.
A Trilha do Ipiranga está entre os percursos mais conhecidos da região. O trajeto pode ser feito a pé ou de bicicleta e atravessa diferentes trechos de floresta em regeneração.
Outro ponto bastante procurado é a Cachoeira do Figueira, especialmente durante os meses mais quentes do ano. O local atrai visitantes interessados em banho de rio e contato direto com a natureza.
A Estrada-Parque Serra da Macaca também virou uma rota frequente de cicloturismo. O trecho liga os dois núcleos do parque e passa por paisagens preservadas da Serra de Paranapiacaba.
Endereço da portaria: Rodovia, SP-139, km 47
Animais raros e Mata Atlântica preservada
O Parque Estadual Carlos Botelho protege espécies ameaçadas de extinção e abriga uma biodiversidade considerada rara tanto em São Paulo quanto no mundo.
Segundo o Guia de Áreas Protegidas, o local pode ser a única unidade de conservação com presença simultânea do muriqui-do-sul e do mico-leão-preto.
Além dos primatas, a área preserva animais como onça-pintada, anta e queixada. Já a vegetação inclui espécies típicas da Mata Atlântica, como palmito-juçara, jequitibá, figueira e canela.
O parque foi criado oficialmente em 1982 pelo Decreto Estadual nº 19.499/1982, e o nome se deve a uma homenagem ao médico urologista, político e agricultor Carlos José de Arruda Botelho (1855–1947).
Como se hospedar dentro do parque
Quem deseja passar mais tempo na reserva encontra opções de hospedagem dentro do próprio parque no Núcleo São Miguel Arcanjo.
A Hospedaria Jacutinga, por exemplo, possui quartos compartilhados, cozinha equipada e estrutura voltada para visitantes que participam de trilhas e atividades ecológicas.
Também existe a Hospedaria Muriqui e áreas destinadas ao camping. Além disso, pousadas e chalés funcionam no entorno da unidade de conservação.
Para se instalar nesses lugares, basta reservar as diárias pelo site oficial das hospedarias.
Melhor época para visitar
Os meses de outono e inverno, que coincidem com a época de montanhismo no Brasil, costumam atrair mais visitantes por causa do clima mais seco, que favorece os passeios pelas trilhas.
Já o verão é indicado para quem pretende aproveitar cachoeiras e atividades próximas aos rios, principalmente na região de Sete Barras.
Independentemente da época, o agendamento prévio continua obrigatório. Como parte das atividades ocorre em áreas de preservação, o controle de visitantes ajuda a reduzir impactos ambientais.







