O clima de 'praia sem água' no Eixão do Lazer atrai famílias e pets para piqueniques e momentos de descontração, transformando o asfalto no principal parque linear da capital | Paulo H. Carvalho/Agência Brasília
Uma das avenidas mais movimentadas do país esconde um segredo que atrai turistas e curiosos todos os fins de semana. O Eixo Rodoviário de Brasília, conhecido também como a “praia sem água”, vira ponto de encontro onde famílias estendem paninhos no chão para tomar sol e fazer piqueniques.
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Projetada originalmente como uma rodovia de alta velocidade pelo urbanista Lúcio Costa, a via de 14 quilômetros sofre uma inversão completa de propósito aos domingos. O asfalto é ocupado por skatistas, músicos e frequentadores que buscam um refúgio urbano em meio ao concreto modernista.
O pôr do sol no Eixão do Lazer convida ciclistas e pedestres a ocuparem o asfalto que, durante a semana, pertence apenas aos carros. Andre Borges/Agência BrasíliaConsiderado uma “praia urbana”, o Eixão do Lazer oferece quilômetros de pistas livres para o convívio social e o exercício físico na capital. Antonio Cruz/Agência BrasilA infraestrutura de serviços e alimentação no Eixão do Lazer transforma a rodovia em um dos maiores centros de entretenimento gratuito do país. Divulgação/DER-DFA diversidade cultural e o comércio popular são marcas registradas do Eixão do Lazer, atraindo famílias de todas as regiões administrativas. Elza Fiúza/Agência BrasilAs manifestações percussivas e artísticas reforçam o papel do Eixão do Lazer como um espaço de resistência e patrimônio cultural vivo. José Cruz/Agência BrasilColetivos e movimentos sociais utilizam o fluxo do Eixão do Lazer para promover debates e integrar a comunidade brasiliense. José Cruz/Agência BrasilO tradicional “Choro no Eixo” é um dos eventos que dão o tom musical ao Eixão do Lazer, unindo gerações em torno da música brasileira. José Cruz/Agência BrasilA prática de esportes sobre rodas, como o patins, encontra no asfalto liso do Eixão do Lazer o cenário ideal para o lazer de domingo. Lúcio Bernardo Jr./Agência BrasíliaTuristas e moradores aproveitam o Eixão do Lazer para registrar fotos no Marco Zero, ponto simbólico que marca o início da construção da cidade. Lucio Bernardo Jr/Agência BrasíliaA ocupação democrática do Eixão do Lazer mostra como o urbanismo pode priorizar as pessoas em detrimento da velocidade dos motores. Paulo H. Carvalho/Agência BrasíliaA diversidade de modais no Eixão do Lazer reflete a ocupação democrática de uma via que, aos domingos, prioriza a convivência e a saúde em detrimento da velocidade dos carros. Paulo H. Carvalho/Agência BrasíliaO clima de “praia sem água” no Eixão do Lazer atrai famílias e pets para piqueniques e momentos de descontração, transformando o asfalto no principal parque linear da capital. Paulo H. Carvalho/Agência Brasília
História e curiosidades
O projeto nasceu em 1991 com o objetivo de devolver o espaço público aos pedestres, criando o que muitos chamam de “praia urbana”. Essa ocupação é tão relevante que, recentemente, o Iphan passou a tratar o evento como um patrimônio cultural vivo da identidade brasileira.
Diferente do mistério sobre as estruturas escondidas da capital, o valor do Eixão está na convivência entre as pessoas. Rodas de samba, jazz e até feiras gastronômicas transformam a rodovia em um palco democrático todos os fins de semana.
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Patrimônio cultural e turístico
O reconhecimento institucional do Iphan reforça que o lazer e os modos de vida coletivos são tão importantes quanto os prédios. Essa proteção garante que as manifestações artísticas continuem ocupando as pistas, resistindo às pressões do trânsito cotidiano das grandes cidades.
Para quem planeja desembarcar na capital e conhecer esse fenômeno de perto, o ideal é visitar a via entre 6h e 18h aos domingos. Como o sistema de endereço em Brasília é diferente da maioria das cidades do país, vale se orientar pela proximidade das estações de metrô das Asas Sul e Norte.
Essa caminhada pelo asfalto também revela segredos da construção da capital, como o Marco Zero da cidade, redescoberto e revitalizado recentemente. Localizado próximo ao cruzamento dos eixos, esse monumento marca o ponto exato de onde partiram as primeiras medições da cidade, unindo a história do passado com a vitalidade do presente.