A escassez crítica de semicondutores ameaça paralisar a produção de veículos no Brasil, segundo alertou nesta semana a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), após disputas geopolíticas recentes entre China e Holanda reduzirem a oferta global de chips essenciais para as montadoras.
As montadoras pedem que o governo federal adote medidas para evitar o desabastecimento desses componentes, fundamentais para a fabricação dos veículos.
No início de outubro, o governo holandês assumiu o controle da Nexperia, gigante dos semicondutores sediada no país e que é subsidiária de um grupo chinês.
Como resposta, o governo chinês ampliou restrições à exportação de materiais e equipamentos usados na produção de semicondutores em seu território.
Essa ação reduziu a oferta global de chips e de outras tecnologias dependentes deles. Conforme a Anfavea, a falta de semicondutores se assemelha a ocorrida durante a pandemia, quando a indústria enfrentou paralisações e atrasos na produção.
Em agosto, as disputas globais de poder chegaram a taxar os semicondutores. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou que taxaria em 100% os chips.
Empregos em jogo
O presidente da Anfavea, Igor Calvet, informou que a escassez do insumo coloca em risco 1,3 milhão de empregos e toda a cadeia automotiva. Segundo ele, a mobilização federal é necessária para evitar um colapso na indústria automotiva brasileira.
Outro ponto salientado pelo presidente da associação é o contexto econômico do País. O desaquecimento da demanda, somado a um cenário marcado por altos juros, aumenta o desafio para o setor.
