Entenda por que o ex-ministro do Reino Unido passa 36 horas de jejum toda semana

Prática é a versão mais rígida do jejum intermitente e pode mexer com gordura, glicose e energia; entenda possíveis ganhos e efeitos indesejáveis

Ex-premiê britânico adotava 36 horas semanais sem comida; especialistas explicam o que muda no metabolismo

Ex-premiê britânico adotava 36 horas semanais sem comida; especialistas explicam o que muda no metabolismo | Number 10/Wikimedia Commons

Para muita gente, a ideia de atravessar um dia inteiro sem café da manhã, almoço ou jantar soa impensável.

Ainda assim, essa é uma rotina semanal adotada por Rishi Sunak, ex-primeiro-ministro do Reino Unido. Atualmente, ele é consultor sênior da Microsoft Corporation e da Anthropic AI, além de membro do Parlamento britânico.

O hábito chama atenção, mas especialistas afirmam que a prática não é tão incomum quanto parece e pode trazer efeitos específicos ao organismo.

Uma rotina rígida de jejum

Uma fonte próxima ao primeiro-ministro disse ao Sunday Times que Sunak fazia um jejum de 36 horas no início de cada semana, como parte de um estilo de vida equilibrado e por uma questão de disciplina pessoal, o que também lhe permite desfrutar de guloseimas açucaradas no resto da semana.

Nesse período, ele consumia apenas água, chá ou café preto, das 17h de domingo até as 5h de terça-feira.

A estratégia chama curiosidade por ocorrer em meio a uma agenda intensa. Ainda assim, nutricionistas explicam que o protocolo segue uma lógica já conhecida por quem estuda padrões de jejum intermitente.

Uma prática menos rara do que parece

Para Adam Collins, professor associado de nutrição da Universidade de Surrey, o método é uma versão mais rígida da dieta 5:2.

Nesse modelo, a ingestão calórica é reduzida de forma intensa em dois dias da semana.

Em entrevista ao The Guardian, ele explicou que, ao somar esses períodos de restrição, chega-se a algo próximo das mesmas 36 horas.

A diferença está no fato de que, no jejum completo, não há consumo calórico algum.

O que muda no funcionamento do corpo

James Betts, professor de fisiologia metabólica da Universidade de Bath, explica que restringir calorias não coloca o organismo em jejum pleno.

Já a abstinência total força o corpo a recorrer às próprias reservas energéticas.

Nesse contexto, há uma transição no uso de combustível. O organismo passa a priorizar a gordura em vez dos carboidratos, o que altera temporariamente o metabolismo.

Collins afirmou ao The Guardian que quanto mais rigoroso o jejum, maior essa mudança, embora haja também redução momentânea da tolerância à glicose.

Flexibilidade metabólica e possíveis ganhos

De acordo com Collins, jejuns prolongados podem favorecer a chamada flexibilidade metabólica.

Trata-se da capacidade de alternar entre diferentes fontes de energia conforme a disponibilidade.

Esse processo pode ajudar o corpo a lidar melhor com excessos alimentares, períodos de sedentarismo e estresse.

Há ainda indícios de ativação da autofagia, mecanismo no qual as células reciclam componentes internos, o que pode estar ligado ao reparo celular.

Limitações e efeitos indesejáveis

Apesar dos possíveis benefícios, os especialistas fazem ressalvas. Collins lembra que muitas evidências vêm de estudos com animais submetidos a jejuns ainda mais longos.

Betts acrescenta que o jejum pode contribuir para a perda de peso, mas também aumentar o risco de redução da massa muscular.

Além disso, a tendência é diminuir a atividade física durante o período, já que a energia disponível fica limitada.