A Gazeta estreia nesta semana uma nova coluna assinada por Hânya Pereira Rêgo, sobre o Movimento Nacional de Familiares de Pessoas Desaparecidas.
O objetivo é dar visibilidade ao tema dos desaparecimentos no Brasil e contribuir para a busca por pessoas que seguem sem paradeiro conhecido.
A coluna surgiu a partir de uma conversa informal. Hânya conta que, durante um almoço em família, mencionou que na semana seguinte teria início a IV Conferência Global de Familiares de Pessoas Desaparecidas, promovida pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).
Segundo Hânya, o convite causou receio inicial. “De primeira eu fiquei assustada com a tarefa, pois nunca tinha pensado nessa possibilidade de ter algo fixo”, afirma.
Ela explica que escreve eventualmente para jornais e revistas, mas não tinha experiência com uma coluna regular. Após conversar com o CICV e receber incentivo e apoio da instituição, decidiu aceitar a proposta.
O principal objetivo da coluna, de acordo com Hânya, é ampliar a visibilidade do tema.“O principal objetivo é dar visibilidade ao tema, cujos números no Brasil são absurdos”, diz.
Ela ressalta que o País não vive contextos como conflitos armados, migração em massa ou crises de refugiados, o que torna o cenário ainda mais preocupante.
A expectativa é que a divulgação dos casos possa gerar informações que ajudem nas buscas.
“O impacto pretendido é alcançar pessoas que identifiquem indivíduos que possam estar em situação de vulnerabilidade, adoentados, internados ou que tenham informações que possam auxiliar a encontrar ou saber o que aconteceu com os desaparecidos que buscamos”, afirma.
A coluna terá dois formatos principais. “Pretendemos fazer dois tipos de textos: alguns contextuais, explicando circunstâncias, publicando dados, falando de programas de governo e formas de comunicar informações, e outros com histórias de desaparecidos, com fotos e contatos para eventual retorno”, explica.
Coluna quinzenal
Inicialmente, a publicação terá frequência quinzenal. “Propusemos uma frequência quinzenal, de início, para sentirmos a resposta do leitor, como engajamento e eventual surgimento de novos indícios”, diz Hânya.
Os casos apresentados seguirão critérios definidos pelo Movimento. Segundo ela, a proposta é mostrar diferentes perfis de desaparecimento.
“Pretendemos inicialmente mostrar diferentes ‘formatos’ de desaparecimento: adultos, crianças, idosos, pessoas com problemas de saúde”, afirma.
Também está prevista a abordagem de características regionais e a persistência das famílias.
“Outro aspecto é mostrar que as mães não desistem nunca da busca, mesmo com décadas de procura”, acrescenta. Todos os casos serão publicados com autorização das famílias.
Neste primeiro momento, a coluna vai trabalhar com casos já acompanhados por organizações e associações de familiares.
“Inicialmente iremos trabalhar com os casos que já são assistidos pelas diversas organizações e associações de familiares, estão documentados, e alguns temos imagens com progressão no tempo”, explica.
Segundo Hânya, essas entidades funcionam como filtro e também como redes de apoio. “Essas entidades são dirigidas por mães com vasta experiência”, afirma.
A coluna também vai divulgar os canais de contato dessas associações. “Iremos divulgar todos os canais de contato dessas associações para que a população possa fazer contato”, conclui.
