O Brasil atingiu um marco demográfico e educacional inédito em sua história recente. A taxa de analfabetismo no país recuou para o patamar de 4,9%. Com isso, o país teve uma redução de cerca de 592 mil pessoas analfabetas em um ano.
Os dados são da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta sexta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
Esse resultado representa o menor índice absoluto já registrado desde o início da série histórica do levantamento, consolidando uma trajetória contínua de declínio na parcela da população com 15 anos ou mais que não sabe ler e escrever um bilhete simples.
O rompimento da meta do Plano Nacional de Educação
A conquista estatística ganha relevância política e econômica ao colocar o país, pela primeira vez, abaixo da barreira simbólica dos 5% de analfabetismo, um patamar técnico que aproxima o Brasil das metas estruturais de erradicação desenhadas na última década.
Na PNAD de 2024, o índice estava em 5,3%. Para comparação, essa taxa em 2016 era de 6,7%.
O avanço reflete a expansão das redes de ensino fundamental e a consolidação de políticas públicas voltadas à alfabetização na idade certa, além de programas de inclusão de jovens nas salas de aula das redes públicas. A gerente de estratégias do Instituto Ayrton Senna, Beatriz Alqueres em entrevista para a CNN falou sobre o indiciamento dos dados.
“Os dados indicam que a queda do analfabetismo tem sido puxada pelas gerações mais jovens. No entanto, continua a ser necessário pensar em políticas públicas para a educação de jovens e adultos”, afirma.
A leitura técnica dos indicadores econômicos associa a retração do analfabetismo a ganhos futuros de produtividade na força de trabalho. Os dados apontam que a melhoria na base educacional da população mais jovem é um motor silencioso para a elevação da renda média e para a transição do mercado de trabalho formal em direção a vagas de maior valor agregado e densidade tecnológica.
Infraestrutura escolar e o tráfego de novos estudantes
A sustentação dessa queda foi impulsionada pela redução contínua do contingente de analfabetos nas faixas etárias mais baixas. O fluxo de universalização do acesso à escola nas últimas duas décadas praticamente zerou a entrada de novos analfabetos no sistema a partir dos 15 anos.
O desafio do Estado brasileiro agora se desloca para o acompanhamento fino da qualidade do aprendizado e para evitar o chamado analfabetismo funcional, garantindo que o domínio da leitura e da escrita se reverta em capacidade de interpretação de textos complexos e cálculos matemáticos básicos necessários para a rotina civil e corporativa.
Segundo Beatriz, o grande desafio da vez é solucionar o analfabetismo em faixa etárias de 60+
“O Brasil está produzindo cada vez menos analfabetos, um avanço que merece ser reconhecido. Mas o desafio continua fortemente concentrado entre os idosos. Boa parte dos brasileiros que não foram alfabetizados na infância permanece nessa condição, o que exige políticas específicas de alfabetização de jovens e adultos, desenhadas para as necessidades e características da população 60+“, afirmou.




