Abrir uma lata hoje é uma tarefa fácil e rápida, seja com um abridor tradicional ou com embalagens que já trazem um sistema próprio de abertura.
Mesmo assim, esse utensílio só foi criado quase 50 anos depois dos primeiros alimentos enlatados. Nesse período, as pessoas recorriam a métodos complicados e até perigosos para acessar o conteúdo.
Como a lata em conserva foi criada
No fim do século 18, os exércitos europeus enfrentavam um desafio logístico enorme: transportar comida por longas distâncias.
A tarefa era difícil, pois os métodos de conservação faziam os alimentos estragarem rapidamente.
Conforme relata o portal Mega Curioso, em 1795, Napoleão Bonaparte ofereceu um prêmio de 12 mil francos a quem encontrasse uma forma de preservar comida por meses, sem refrigeração.
A evolução do dispositivo
Em 1810, Nicolas Appert venceu o prêmio ao selar alimentos em recipientes e aquecê-los.
Sem saber exatamente o porquê, ele percebeu que o calor eliminava microrganismos que causam a deterioração, processo que hoje chamamos de esterilização.
No mesmo ano, Peter Durand patenteou a primeira lata feita de ferro e estanho. A união dessas duas invenções deu origem às conservas metálicas, mais resistentes que recipientes de vidro.
Essas latas iniciais eram grossas e pesadas. Mesmo assim, soldados improvisavam maneiras de abri-las para ter acesso à comida.
Como as latas eram abertas antes
Antes do abridor, as pessoas recorriam à força bruta e a ferramentas pesadas para abrir uma lata.
Os próprios fabricantes recomendavam cortar ao redor da borda com um martelo ou um cinzel (ferramenta usada para rachar, em vez de cortar, materiais duros).
Como as latas eram feitas de ferro estanhado e muito espessas, abrir uma delas exigia esforço, paciência e cuidado para não se ferir.
A chegada do abridor
Somente em 1858 surgiu o primeiro abridor, criado por Ezra Warner. Era uma ferramenta rudimentar e perigosa, tanto que as latas geralmente eram abertas nas próprias lojas.
Em 1870, William Lyman desenvolveu o primeiro modelo seguro para uso doméstico. Ele funcionava como uma pinça presa à borda da lata, enquanto uma peça giratória cortava a tampa aos poucos.
A evolução mais recente veio em 1963, com a lata de abertura superior, comum em refrigerantes e cervejas. Esse sistema eliminou a necessidade de ferramenta extra para beber diretamente do recipiente.
Nesse tipo de latas, inclusive, há detalhes que muita gente ignora, como o furinho no lacre, pensado para ajudar na alavanca da abertura.
Outra curiosidade que poucos sabem é que, depois de aberta, a embalagem ainda rende. Há quem aproveite as tampas em casa, com ideias simples para reutilizar tampas metálicas de conserva no dia a dia.


